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Números opostos à realidade vivida em Mato Grosso

Apesar de as estatísticas serem satisfatórias, a realidade é totalmente contrária e a população continua refém da violência no Estado

13 Set 2018 às 21:29
Jefferson Oliveira l CircuitoMT
Rep. CircuitoMT

Apesar dos números positivos divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), a insegurança continua assustando os moradores de Mato Grosso, que têm se tornado reféns de bandidos que, armados, roubam, amarram e até matam suas vítimas.

Esta semana o proprietário de uma residência em Cuiabá morreu ao tentar defender o seu lar e evitar que o imóvel fosse roubado por ladrões. Já em Rondonópolis (212 km de Cuiabá) um taxista morreu vítima de latrocínio.

Além de o cidadão e contribuinte estarem de mãos atadas, a polícia também passa a ser desafiada pelos criminosos. Em Nova Mutum ((242 km de Cuiabá), três criminosos receberam policiais militares a tiros durante o atendimento de uma denúncia.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostrou em números, baseados nas estatísticas da Sesp, que em 2017 houve no Estado redução de 27% no número de homicídios. Roubos e furtos a veículos também tiveram uma redução de 44,2% nos indicadores.

O diagnóstico do FBSP mostrou que uma fragilidade encontrada em Mato Grosso é a grande extensão em fronteira seca com países vizinhos, o que faz aumentar os crimes em Cuiabá e no interior. O relatório aponta que há necessidade de reforçar a segurança na fronteira oeste de Mato Grosso. O tráfico de drogas, armas, de pessoas e os descaminhos de mercadorias potencializam a criminalidade.

Outro fator que tem preocupado é o crescimento de facções criminosas em Mato Grosso, o Comando Vermelho (CVMT) tem dominado os presídios do Estado e de dentro e fora das instituições tem orquestrados roubos, furtos e homicídios.

O FBSP aponta que precisa de um trabalho constante de inteligência policial e de repressão qualificada contra as facções para reduzir o seu impacto sobre os crimes contra a vida e contra o patrimônio.

Casos de insegurança

Como citado, somente esta semana três casos de total insegurança tomaram conta do Estado, em ações que bandidos têm agido sem medo das consequências. Na segunda-feira (10), o empresário Carlos da Cruz Olmedo, 36 anos, morreu ao ser baleado depois de reagir a um roubo em sua residência localizada na Rua São Francisco de Assis, bairro Jardim Kenedy, em Cuiabá.

Segundo consta no boletim de ocorrências, a PM foi acionada para ir ao endereço verificar um roubo seguido de morte. Chegando ao local, os militares conversaram com uma testemunha que relatou que quando chegava ao imóvel com Carlos, foram rendidos por dois ladrões que, armados, anunciaram o roubo.

A jovem identificada com Jaqueline foi amarrada junto com Carlos e ambos foram levados a um cômodo da casa, enquanto os criminosos recolhiam os objetos de valor e, em determinado momento, Carlos conseguiu se livrar da corda e partiu para cima de um dos ladrões.

Neste momento, a vítima levou dois tiros e os ladrões fugiram utilizando o veículo da família que foi abandonado algumas quadras depois. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e constatou a morte de Carlos ainda na residência.

A Polícia Civil foi acionada e instaurou inquérito para apurar o latrocínio. Os criminosos não foram identificados até o momento.

Já o taxista Marcelo da Costa Pinto, 38 anos, foi morto neste domingo (9) por um casal que chamou uma corrida no bairro Vila Operária, em Rondonópolis, e acabou roubando e matando o trabalhador. O suspeito de matar o taxista acabou sendo linchado por um grupo de 50 taxistas e morreu. Sua companheira foi presa.

De acordo com relatos locais, o casal chamou uma corrida no bairro Vila Operária e, durante o trajeto na região da chácara Paulista, saída de Rondonópolis para Guiratinga, o suspeito Pedro Henrique Costa do Nascimento, 28 anos, anunciou o roubo contra Marcelo.

A companheira de Pedro pediu que o marido abortasse o assalto, porém o pedido não foi atendido e Pedro esfaqueou Marcelo até a morte. Testemunhas perceberam o casal fugindo do carro e quando se aproximaram encontraram o taxista sem vida.

A Polícia Militar e Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec) foram acionados e compareceram ao endereço. Ao saber da morte do amigo de profissão, um grupo de 50 taxistas saiu à procura do casal e encontrou Pedro Henrique e Kauane Gomes Barbosa, 18.

No local onde o casal estava, os taxistas armados com pedaços de madeira começaram a espancar Pedro até a morte. Kauane fugiu, porém foi localizada pelos militares e presa. A jovem confessou o roubo e disse que fugiu do táxi antes de seu marido matar Marcelo. A jovem foi presa e encaminhada à delegacia. As facas utilizadas pelos criminosos foram localizadas na residência do casal e apreendidas.

No sábado (8), a audácia dos criminosos não foi bem-sucedida, quando os jovens Rodrigo Martins dos Santos Arruda, 19, Thiago Fabrício de Almeida, 18, e um menor de 16 anos morreram ao trocarem tiros com policiais militares em uma residência localizada na Rua das Begônias, bairro Lírio dos Campos, em Nova Mutum.

De acordo com relatos locais, os policiais foram acionados por vizinhos que informaram que os jovens estariam no imóvel em atitude suspeita e portando armas de fogo. Imediatamente os militares foram ao local e, chegando à residência, foram recebidos a tiros pelos três bandidos.

A PM revidou aos tiros e acertou os três criminosos. Um dos suspeitos foi encaminhado ao Hospital Municipal pela própria polícia e os outros dois criminosos feridos foram levados a uma unidade médica por uma equipe do Corpo de Bombeiros.

Nenhum dos três bandidos resistiu aos ferimentos e todos morreram no hospital. No imóvel, os policiais apreenderam dois revólveres calibre 38 e uma arma de brinquedo. A Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec) foi ao imóvel realizar os procedimentos que irão auxiliar a Polícia Civil nas investigações.

Em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), na noite desta terça-feira (11), dois ladrões invadiram uma residência localizada no bairro Jardim Taiti, fizeram uma mulher com seus três filhos de reféns e deixaram as vítimas amarradas em um cômodo da casa durante o roubo.

Segundo consta no boletim de ocorrência, a mulher relatou que estava no imóvel com os filhos quando os criminosos armados invadiram o local e anunciaram o roubo. Os ladrões amarraram mãe e filhos e levaram as vítimas para um quarto e deixaram todos trancados.

Os criminosos, segundo a vítima, procuravam joias, porém levaram a quantia de R$ 100, dois celulares e uma televisão da residência. A mulher, passado algum tempo, conseguiu se soltar e acionar a PM. Os militares chegaram a fazer rondas na região, porém nenhum suspeito foi localizado até o momento.

Dados que aumentaram

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostrou que os crimes de estupro tiveram aumento de 26,4% na taxa de ocorrências por 100 mil habitantes.  Outro fator que tem assustado é o alto número de casos de pedofilia.

Como relatado na edição 292 do Circuito Mato Grosso, somente nos primeiros seis meses de 2018 o Estado registrou 242 ocorrências de violência sexual. Além de os números continuarem alarmantes, os casos continuam sem parar.

Três casos repercutiram e inclusive um dos acusados confessos de abuso sexual contra crianças acabou sendo encontrado morto em sua residência. O idoso Eloi Antônio Kovaleski, 62, foi encontrado morto na noite de domingo (9) na cidade de Ipiranga do Norte (470 km de Cuiabá). A vítima respondia a um inquérito de estupro de vulnerável por abusar de duas crianças (um menino e uma menina) de 10 anos de idade, que eram suas vizinhas.

Segundo as informações locais, a PM foi acionada e informada sobre o crime. Chegando ao endereço, os policiais localizaram Eloi caído no chão e a faca utilizada no crime próximo ao corpo do idoso.

Uma equipe médica foi acionada e constatou a morte dele. A Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec) e a Polícia Civil foram ao endereço realizar os trabalhos cabíveis para dar continuidade às investigações e prender o possível assassino, que até o momento não foi identificado.

A Polícia Civil acredita que o homicídio possa ter sido praticado em vingança aos abusos praticados e confessados pelo idoso.

Em Jaciara (144 km da capital), um investigado por abuso sexual contra duas crianças, que são suas filhas, um homem de 39 anos, foi preso pela Polícia Judiciária Civil, na terça-feira (11).

O crime foi noticiado pela mãe das duas meninas (de 10 e 12 anos), que relataram que o suspeito E.S.P. praticava, de forma reiterada, atos libidinosos passando o dedo e o órgão genital na região íntima das garotas. Ouvidas na delegacia, as vítimas confirmaram os fatos e declararam que o investigado aguardava a saída da mãe para praticar os abusos.

Assim que tomou conhecimento dos fatos, a Polícia Civil iniciou diligências para capturar o suspeito, que foi localizado nas proximidades do fórum do município.

Conduzido à delegacia, ele foi autuado em flagrante por estupro de vulnerável. O suspeito ficará à disposição do Judiciário para deliberações futuras.

Na manhã desta quarta-feira (12), a Polícia Judiciária Civil, através da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande (DEDM-VG) prendeu um homem acusado de estuprar pelo menos cinco meninas, todas com idades entre 7 e 11 anos de idade.

Além de ter o mandado de prisão cumprido pelo estupro das cinco vítimas, Silvino José dos Santos, 71 anos, foi reconhecido por outra vítima de estupro ocorrido há 30 anos.

De acordo com as investigações, coordenadas pelo delegado da DEDM-VG Cláudio Alvares Sant’Ana, os cinco casos identificados ocorreram no bairro Mangabeira, em Várzea Grande. O suspeito se aproximava das crianças com presentes e dinheiro e, ao conquistar a confiança das vítimas, as convidava para ir à sua casa, onde aconteciam os abusos sexuais.

As cinco vítimas foram ouvidas na delegacia e confirmaram os abusos praticados pelo suspeito. Uma das assistentes responsáveis pelo atendimento das crianças, ao se deparar com o nome do suspeito, entrou em desespero e denunciou que, há 30 anos, quando ela tinha apenas 12 anos, também foi vítima de estupro praticado pelo mesmo suspeito. Segundo a vítima, há 30 anos, o acusado age da mesma maneira, oferecendo presentes para se aproximar das crianças e cometer os abusos.

Ainda ligados a violência sexual, algumas alunas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) criaram um grupo em uma rede social em que relatam que estão sendo assediadas dentro do campus e correm risco de serem abusadas sexualmente a qualquer momento.

Dois grupos denominados Assédio na UFMT e MeuOlharUFMT trazem relatos de supostas alunas que se assustaram com situações ou possíveis assédios sofridos na maior universidade pública do Estado.

Em um dos relatos, aparece uma aluna que escreveu: “Meninas, cuidado quando forem andar pela UFMT sozinha. Hoje, 17h, fui seguida por um cara dentro do campus Cuiabá e ele não fez nada porque apareceram outras pessoas no meio do caminho. Então, tomem cuidado pelo amor de Deus”, relatou.

Outra denúncia é contra um suposto homem que tem frequentado o bloco de Geologia. “Tem um moço que fica assediando as meninas do bloco de Biologia e Saúde Coletiva. Além de assediar, ele cospe nas meninas e roubou uma bicicleta. Entra no banheiro e toma banho e fica esperando as meninas entrarem. E quando fecham os blocos, ele dorme lá dentro. Está terrível. Não vamos mais ao banheiro sozinhas. Estamos todas com medo”, escreveu outra suposta aluna.

Em conversa com policiais militares do 1º Batalhão, a PM relatou que para poder atuar no campus precisa de autorização da reitoria e até o momento não há boletim de ocorrência sobre os supostos assédios e perseguições.

A Polícia Militar disse que é de extrema importância o registro do boletim de ocorrência, seja para o aumento de efetivo e rondas na região, seja para possível trabalho de investigação da Polícia Civil, para que possa localizar os suspeitos.

Polícia restrita no campus

Em 2014, quando alunos começaram denunciar uma série de roubos e furtos dentro da UFMT e em torno do campus, um coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) relatou que os estudantes são contra a presença da Polícia Militar dentro da universidade, mas que deveria haver outras formas de se combater os roubos e furtos no local.

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