Mato Grosso registrou 320 ocorrências de naturezas criminais relacionadas ao abuso sexual de crianças de zero a 12 anos de idade desde janeiro a abril deste ano. Em 2020, foram 318 registros. Se o número de casos já causa preocupação, também chama a atenção o fato de que 72% dos crimes foram praticados dentro de casa e 77% dos suspeitos eram conhecidos da vítima.
Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Superintendência do Observatório de Segurança Pública, vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). De acordo com o Observatório, 229 abusos sexuais foram praticados dentro de casa. Denominado “outro local” foi apontado em 41 registros (13%); via pública em 24 (8%); pela internet em 11 casos (3%); propriedade rural respondeu por 6 registros (2%); comércio foram três, enquanto escola (pública e privada), veículo e clube social foram os locais com dois casos cada.
O maior número de ocorrências refere-se ao estupro de vulnerável, com 253 casos no primeiro quadrimestre deste ano. No ano passado, foram 281 ocorrências do tipo. Após, vem importunação sexual, que saltou de 9 casos no ano passado para 22, em 2021. A conduta criminosa de “Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso” foi responsável por 15 registros, contra 11 em 2020.
O balanço mostra ainda que o assédio sexual teve 10 casos, em 2021, um a mais que no ano passado, quando houve 9 registros. O restante do total apresentou a partir de cinco casos registrados em cada natureza criminal.
Quanto a faixa etária, a maior incidência ocorreu contra crianças entre 9 e 12 anos de idade (51% ou 164 casos), em seguida entre 5 e 8 anos (93 registros) e zero a 4 anos com 63 casos. O estudo identificou ainda que as crianças do sexo feminino são vítimas em maior frequência. Das 320 ocorrências, 257 são meninas (80%) e 63 meninos (20%).
Com relação aos suspeitos, o levantamento demonstrou que 247 deles eram conhecidos da vítima (77%), 43 eram desconhecidos (14%) e 30 não informaram (9%). Na especificação do grau de parentesco, 18% foram identificados como madrasta ou padrasto; 13% eram desconhecidos; 12% eram pai ou mãe; 11% amigo ou amiga; 7% vizinho; 7% outro parente; 7% tio ou tia; entre outros. O sexo da maioria dos suspeitos é masculino (76%), enquanto o feminino foi identificado em 3% dos casos, e em 21% não foi identificado.
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O horário noturno foi o mais utilizado para as práticas criminosas, com 90 ocorrências; seguido do período vespertino, com 83 casos; o matutino em 64 casos e a madrugada com 22 registros. O horário não foi informado em 61 ocorrências. Para o Observatório, o grande número de registros reflete também a confiabilidade da população nas forças de segurança.


