Domingo, 4 de outubro de 2026

780km sem abastecer, até 100km/h e capacidade de cruzar rios em missões:

Conheça o Piranha IIIC, blindado 8×8 mais versátil da Marinha do Brasil

780km sem abastecer, até 100km/h e capacidade de cruzar rios em missões:
Foto: Arquivo Colíder News
Por que o Piranha blindado é peça-chave da Marinha do Brasil: mobilidade 8×8, autonomia de 780 km, até 100 km/h na estrada e capacidade anfíbia para missões complexas

O Mowag Piranha é uma família de viaturas blindadas sobre rodas criada na Suíça e fabricada desde 1972. Ao longo de cinco gerações, deu origem a versões 4×4, 6×6, 8×8 e 10×10, adotadas por forças de vários países e também produzidas sob licença (casos da família LAV e do Stryker).

Na Marinha do Brasil, o foco é o Piranha IIIC 8×8, operado pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Segundo o histórico de operadores, o Brasil possui 30 Piranha IIIC em múltiplas configurações: 25 APC (transporte de pessoal), 2 ARV (recuperação), 2 posto de comando e 1 ambulância.

Esse mix permite cobrir desde deslocamento protegido de tropa até comando e controle, resgate e atendimento médico, compondo um pacote tático completo para operações anfíbias e interagências.

Desempenho e proteção: mobilidade 8×8, 100 km/h e casco pensado para sobrevivência

Um dos motivos para o blindado piranha da Marinha do Brasil ser tão valorizado é a mobilidade estratégica e tática.

A família Piranha traz tração 8×8, suspensão hidropneumática e sistema de pneus preparado para diferentes tipos de solo, garantindo velocidade de até 100 km/h na estrada e capacidade anfíbia, até 10 km/h na água nas versões com propulsão aquática.

A autonomia alcança 780 km, o que amplia o raio de ação em missões prolongadas.

O pacote de proteção é modular: as placas de blindagem podem ser configuradas para responder a diferentes ameaças, incluindo RPG, IED e agentes NBQ (nuclear, biológico e químico), conforme o padrão da família.

Esse desenho permite ajustar o nível de proteção ao perfil da missão sem perder o desempenho, algo essencial para operações anfíbias, urbanas e de patrulhamento em terrenos variados.

No interior, o Piranha foi concebido para transportar equipe e tropa com ergonomia e espaço para sistemas de comunicação, o que facilita a coordenação com navios-capitânia, aeronaves e outras viaturas.

Em missões urbanas, o conjunto chassi-suspensão e o raio de giro ajudam a manobrar entre obstáculos, mantendo estabilidade e controle de massa.

Poder de fogo e variantes: da metralhadora .50 ao lançador de granadas 40 mm e míssil anticarro
A arquitetura modular também aparece no armamento. As configurações da família Piranha incluem metralhadora pesada 12,7 mm (.50), metralhadoras 7,62 mm, lançadores de granadas de 40 mm e, conforme a variante, mísseis anticarro (como TOW).

Essa flexibilidade de torres e estações de armas permite que o blindado marinha do brasil ajuste o poder de fogo ao ambiente operacional, de escolta e segurança de área a apoio direto à infantaria.

Algumas versões recebem torres tripuladas; outras operam com RWS (Remote Weapon Station), aumentando a consciência situacional e a segurança da guarnição. Entre as variantes listadas para o IIIC em diferentes operadores estão APC, posto de comando, engenharia, ambulância e recuperação, evidenciando o caráter multifunção do projeto.

Histórico, família e números globais: por que o Piranha virou padrão mundial
O Piranha não é uma viatura isolada: é uma família que evoluiu por décadas e está na quinta geração.

A linha compreende desde Piranha I até o Piranha V, com massa variando “a partir de 9.300 kg” e dimensões que vão de 6,25 m a 7,45 m de comprimento, 2,5 m a 2,66 m de largura e 1,8 m a 1,98 m de altura (dados da própria família de veículos).

A transmissão típica é automática e o conjunto motriz é diesel, com configurações como 202 kW (275 hp) em versões de referência.

Além do Brasil, versões Piranha são operadas por Bélgica, Dinamarca, Espanha, Irlanda, Romênia, Suíça, Suécia, Botsuana e outros.

Em vários países, os Piranha substituíram M113 em funções de transporte de pessoal e apoio, refletindo uma tendência global de priorizar viaturas sobre rodas com alto desempenho logístico e menor custo de ciclo de vida quando comparadas a plataformas sobre lagartas em determinados cenários.

No Brasil, o Blindado Piranha da Marinha complementa outras capacidades dos Fuzileiros Navais, oferecendo pronta-resposta do mar para terra, com proteção, mobilidade e comando em um pacote único.

O resultado é uma plataforma adaptável às missões anfíbias, operações de paz, resposta a desastres e ações interagências, alinhada ao perfil expedicionário da Marinha do Brasil.

Fonte: Jefferson Silva l Revista Sociedade Militar
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