Na última semana, uma pesquisa publicada na revista Science trouxe
estimativas preocupantes. Segundo ela, 12 milhões de quilômetros
quadrados do solo terrestre (8% da superfície da Terra) podem sofrer com
problemas de sustentação até 2040 e afundar – algo que afetaria mais de 635
milhões de pessoas.
A origem do problema está no que os geólogos chamam de subsidência, um
fenômeno no qual o solo perde capacidade de sustenção devido a atividades
como extração de petróleo, gás e água subterrânea. Normalmente, a taxa de
afundamento gira em torno de poucos centímetros por ano – a longo prazo,
porém, as coisas podem ficar complicadas.
O problema não é novidade. Em 2019, noticiou-se que Jacarta, capital da
Indonésia, sofre com uma crise de afundamento do solo. Previsões indicam
que, até 2050, 90% do norte da cidade pode ficar submerso. A região é
pantanosa – 13 rios passam por lá –, o que agrava a situação.
Além disso, boa parte da população local de Jacarta usa água subterrânea
para as necessidades do dia-dia, desde cozinhar até para beber.
A extração
de água, diga-se, é uma das maiores causas de subsidência. No estudo, que
revisou diversas pesquisas já existentes sobre o tema, os cientistas
identificaram mais de 200 locais, em 34 países, onde a raiz do afundamento
estava na exploração de lençóis freáticos.
Para dimensionar o problema, os pesquisadores elaboraram um modelo
que projeta a subsidência global futura. Ele leva em conta as tendências de
afundamento do solo das últimas décadas, o crescimento populacional e o
consequente aumento da demanda por água.
Com isso, eles estimaram que 1.596 grandes cidades possuem áreas com
risco de afundamento. São centros urbanos densamente povoados em em regiões irrigadas, com alto uso de água subterrânea - 57% deles também estão propensos a sofrer inundações.
Dentre os locais mais atingidos estarão o norte da China, a planície costeira
do Golfo do México, deltas de rios no Vietnã, Egito e Holanda e bacias
sedimentares no México, Irã e Mediterrâneo. Das 635 milhões de pessoas
que podem ser afetadas, 86% delas vivem na Ásia.
O estudo pode ajudar governos e líderes mundiais a formularem estratégias
de mitigação do problema, como pensar em fontes alternativas de água e
explorações conscientes do solo, tanto das pessoas como das indústrias.
Hoje, apenas China e Holanda levam em conta o afundamento do solo ao
planejar suas economias.
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