Em depoimento à Justiça nessa sexta-feira (27), o cabo da Polícia Militar Gerson Correa Júnior disse que foi até o escritório do advogado Paulo Taques, primo do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), e recebeu dele uma mala com R$ 50 mil.
A defesa do advogado Paulo Taques nega as acusações e informa que se pronunciará nos autos.
Segundo ele, o dinheiro seria para custear equipamentos com a finalidade de grampear adversários políticos de Pedro Taques, que na época era candidato ao governo.
Durante o depoimento, o juiz o interrompeu e fez questionamento sobre o objetivo do escritório clandestino. Gerson enfatiza que, durante a conversa com Paulo Taques, ficou claro que era para fins políticos.
“Na ocasião, ficou evidente que o ‘pano de fundo’ era político”, disse ele.
Ainda segundo o cabo, além do dinheiro já entregue, ficou entendido durante a conversa com Paulo Taques, que todas as despesas com o suposto esquema de grampos seriam custeadas pelo primo do governador.
Para o Ministério Público Estadual (MPE), ficou evidente o caráter político das interceptações.
“Ficou caracterizado a criação de um escritório clandestino para escutas ligadas a adversários políticos e que as interceptações eram direcionadas para este fim”, disse o promotor Allan Sousa.
A denúncia
O promotor de Justiça Mauro Zaque, que comandou a Secretaria de Segurança Pública em 2015, denunciou o caso à Procuradoria-Geral da República, afirmando que havia alertado o governador Pedro Taques sobre a existência de um “escritório clandestino de espionagem” por meio de dois ofícios. O primeiro chegou a ser enviado para o Ministério Público Estadual (MPE), mas a investigação foi arquivada por falta de provas.
À época, o governador alegou não ter recebido o documento, que teria sido protocolado na Casa Civil, mas cancelado no mesmo dia e substituído por outro, conforme apontado por auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado.
Porém, em nota emitia neste sábado (28), o governador informa que determinou a apuração de todos os fatos relacionados a supostas escutas telefônicas clandestinas assim que a denúncia chegou ao conhecimento dele, em 2015.


