A Verge TS Pro chama atenção antes mesmo de começar a acelerar. Onde normalmente existiriam cubo, eixo central e raios, sua roda traseira apresenta um enorme espaço vazio. A explicação está numa arquitetura elétrica incomum: o motor foi deslocado para a periferia da própria roda, eliminando corrente e correia da transmissão.
Como a Verge TS Pro consegue rodar sem um cubo tradicional?
A roda não está literalmente solta no ar. O sistema possui uma grande estrutura circular fixa ligada à balança da motocicleta. Dentro dela ficam componentes eletromagnéticos, enquanto a parte externa da roda gira apoiada em grandes rolamentos. Assim, todo o centro pode permanecer visualmente aberto.
A Verge chama essa solução de Donut Motor ou motor integrado ao aro. Em vez de colocar um motor elétrico convencional no centro do chassi e transmitir sua rotação por corrente, correia ou engrenagens, o sistema produz torque diretamente na roda traseira.
O que existe dentro da roda vazada da Verge TS Pro?
A arquitetura reúne uma parte fixa com eletroímãs e uma seção rotativa ligada ao aro, onde estão ímãs permanentes. Quando os campos magnéticos são controlados eletronicamente, a seção externa começa a girar ao redor da parte estacionária, movimentando diretamente o pneu.
Essa solução elimina vários componentes tradicionais:
- Corrente de transmissão.
- Correia dentada.
- Pinhão e coroa convencionais.
- Motor instalado no centro do quadro.
- Caixa de câmbio tradicional.
O vídeo oficial da Verge apresenta a evolução da TS Pro e mostra diretamente o Donut Motor instalado na roda traseira, além do desempenho e das mudanças introduzidas na geração mais recente da motocicleta.
Quanto torque a Verge TS Pro consegue entregar diretamente ao pneu?
A geração atual anunciada pela fabricante declara 1.000 Nm de torque na roda traseira, equivalentes a 737 lb-ft. Esse número parece enorme quando comparado ao torque informado no virabrequim de uma motocicleta convencional, mas as comparações precisam considerar que a medição ocorre em pontos diferentes do sistema de transmissão.
A própria Verge destaca que o motor entrega a força diretamente ao asfalto sem uma transmissão secundária por corrente. Isso reduz peças móveis e elimina perdas presentes em determinados mecanismos mecânicos, embora não torne o conjunto completamente livre de manutenção. Pneus, freios, rolamentos e outros componentes continuam exigindo cuidados.
Por que colocar o motor dentro do aro libera espaço na motocicleta?
Remover o propulsor da região central abre uma área valiosa para as baterias. Essa foi uma das motivações centrais da arquitetura desenvolvida pela Verge: em vez de tentar copiar exatamente a disposição de uma moto a combustão, a empresa redesenhou o veículo ao redor da propulsão elétrica.
ElementoSolução da VergeMotorIntegrado ao aro traseiroTransmissão finalDireta, sem corrente ou correiaCentro da rodaVisualmente abertoTorque anunciado1.000 Nm na roda
O site oficial da Verge explica que essa arquitetura também permite dedicar praticamente toda a região central da moto ao conjunto de baterias. O resultado é uma motocicleta cuja aparência futurista está diretamente ligada à disposição de seus componentes, e não apenas ao desenho externo.
A roda sem raios prejudica a estabilidade e a manutenção?
O visual incomum pode dar a impressão de fragilidade, mas a roda continua apoiada mecanicamente. Grandes rolamentos permitem a rotação ao redor da estrutura fixa, enquanto o aro precisa suportar as mesmas forças verticais, laterais e de frenagem envolvidas na condução de uma motocicleta de alto desempenho.
Até a troca do pneu exige um procedimento diferente, embora seja possível realizá-la sem desmontar completamente o motor. A própria Verge publicou demonstrações de manutenção da roda traseira após milhares de quilômetros de uso, mostrando que o grande círculo vazio não impede a substituição convencional do pneu.

A Verge TS Pro realmente custa R$ 600 mil?
Não como preço oficial de fábrica. O configurador da Verge apresenta valores em dólares muito abaixo desse patamar, e o preço final depende da versão, mercado, impostos, frete e eventual importação. Portanto, fixar R$ 600 mil como valor universal da motocicleta seria enganoso.
Mais interessante que o preço é a solução mecânica. A roda vazada não existe apenas para provocar curiosidade: ela é consequência de colocar o propulsor onde normalmente estaria parte do cubo. Assim, a TS transforma um componente tradicionalmente passivo da motocicleta em seu próprio sistema de propulsão elétrica.


