O sinal da tecnologia da internet 5G prevista para funcionamento em todo o Brasil foi liberado na quarta-feira (6) apenas em Brasília (DF). Em Cuiabá e demais capitais, a previsão é que seja liberado até 29 de setembro. Pelo edital do leilão do 5G, a tecnologia deveria estar disponível em todas as capitais brasileiras até 31 de julho de 2022.
Porém, o documento já previa a possibilidade de estender o prazo por 60 dias. Assim, após a aprovação no conselho diretor, o prazo foi ampliado, sem a necessidade de alterar o edital.
O adiamento foi recomendado pelo grupo que coordenada a implantação da internet 5G no país, Gaispi, durante uma reunião no início de junho. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o documento já previa a possibilidade de estender o prazo por 60 dias.
Segundo a Gaispi, a proposta não representa, necessariamente, o adiamento do 5G, mas, sim, a concessão de prazo adicional para cumprimento das obrigações necessárias à ativação da tecnologia. Isso porque, nas capitais onde já houver condições técnicas, o sinal poderá ser disponibilizado antes.
Na época a Anatel, afirmou que o conselho diretor aprovou o adiamento diante da falta de equipamentos para fazer a "limpeza da faixa" de 3,5GHz, que será usada pelo 5G.
A faixa de 3,5GHz, usada pelo 5G, também é utilizada para transmissão do sinal da TV parabólica. A limpeza é necessária porque o Ministério das Comunicações definiu que a implantação do 5G não prejudicaria as pessoas que assistem TV aberta e gratuita por meio dessa tecnologia de radiodifusão.
"Eles estão liberando a faixa de frequência, que antes era utilizada pela TV aberta via satélite", explica o professor de Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), e especialista em Telecomunicações, José Benedito Martins.
Nesta quarta-feira, o sinal foi liberado apenas para Brasília. Segundo plano de implementação da Anatel, a distruibuição deve passar na sequência por Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo, mas ainda não há datas definidas para isso.
O sinal 5G estará disponível para aparelho celular compatível com a rede de tecnologia homologada pela Anatel. São quase 70 modelos de smartphones aptos a funcionar com a nova tecnologia no Brasil.
INTERNET G5
A nova tecnologia de internet 5G promete mudar o mundo, na área da saúde, por exemplo, será possível realizar cirurgias remotas. No campo, as máquinas poderão ser controladas de qualquer lugar no mundo, além de sistemas de direção automática de carros e as mais diversas tecnologias de automação e inteligência artificial.
A tecnologia 5G já é realidade nas lavouras da fazenda modelo do Instituto Mato-Grossense de Algodão (IMAmt), em Rondonópolis (220 km de Cuiabá), onde foi instalada a primeira antena rural destinada à quinta geração de internet em 2021.
No caso da agricultura, ela possibilitará, entre outras coisas, a transmissão em tempo real de imagens em alta definição de plantações para acompanhamento a distância de uma equipe técnica.
Máquinas como tratores poderão funcionar de forma mais autônoma. Além disso, informações precisas sobre o comportamento e a saúde de animais poderão ser obtidas de forma bem mais detalhada, bem como sobre as condições climáticas.
“O 5G tem uma taxa de transmissão de dados muito superior a um 4G, chega a ser 100 vezes mais de velocidade, você terá um tempo baixíssimo de latência (tempo mínimo entre o estímulo e a resposta da rede de Telecom), muito menor, quase que instantâneo, fazendo a informação chegar de forma muito mais rápida”, explica o professor José Benedito Martins.
O principal meio para receber o sinal 5G é ter a cobertura de fibra ótica na região.
“Todas as operadoras estão trabalhando com fibra ótica em quase todo o Estado, e é preciso que essa rede se espalhe por todos os municípios. As operadoras devem ter essa capacidade de distribuição para que a tecnologia funcione em todo o Estado. Agora, caso ela não tenha, ela vai ter de fazer o investimento em fibra ótima para poder disponibilizar o serviço para os clientes. Como eles têm um compromisso com a Anatel, eles devem atender conforme a demanda de escalonamento da Anatel”, esclarece o especialista.
Segundo a Agência, a nova tecnologia possui três modos de uso:
1. Banda Larga Móvel Avançada, focada em altas velocidades de download e upload, para as novas necessidades do usuário convencional;
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2. Controle de Missão Crítica, focada em prover conexão com baixíssima latência e altíssima confiabilidade, voltada para aplicações sensíveis a atrasos e erros como carros autônomos, cirurgias remotas, controle remoto de maquinário industrial;
3. Internet das Coisas Massiva, focada em atender grande quantidade de dispositivos IoT, com alta cobertura e baixo consumo de bateria, levando a Internet das Coisas a um novo patamar de atendimento.


