O advogado Ênio Martimiano da Cunha Júnior foi preso pela Polícia Civil nesta quarta-feira (14), suspeito de participar da execução de Gabriel Martins Pereira, de 25 anos, em Cuiabá. Segundo a investigação, ele teria levado o jovem em seu próprio carro para encontrar um integrante de uma facção conhecido como “disciplina”, função atribuída a quem aplica punições dentro do grupo criminoso.
A suspeita é de que, depois desse encontro, o advogado tenha se reunido com outros dois investigados que estariam com as armas usadas no assassinato. A Polícia Civil também apura se Ênio repassou à facção informações obtidas quando acompanhou Gabriel na delegacia, após a prisão dele em abril de 2024.
Na ocasião, Gabriel foi preso durante uma ação do Raio no bairro São Francisco. De acordo com os investigadores, o advogado teria tomado conhecimento de que o jovem supostamente havia indicado à polícia onde estava escondida uma carga de drogas da facção. A suspeita é de que essa informação chegou aos criminosos e motivou a execução.
Gabriel foi encontrado morto na madrugada de 8 de novembro de 2024, no bairro Recanto da Siriema. Conforme a Polícia Civil, ele foi torturado antes de ser assassinado com 16 disparos de arma de fogo e 15 golpes de faca.
A prisão do advogado ocorreu durante a Operação Silenciar, deflagrada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa após quase dois anos de investigação. A apuração reuniu perícias, análise de imagens, monitoramento eletrônico e informações de inteligência. Os quatro suspeitos foram indiciados, com indicação da conduta atribuída a cada um.
Além de Ênio, são investigados Geison dos Santos Nascimento, conhecido como “Todynho” ou “Americano”, João Paulo Corbelino Costa e Gleison Corrêa dos Santos, conhecido como “Disciplina da Facção”. Geison e João Paulo já estavam presos por outros crimes e tiveram mandados relacionados à operação cumpridos no sistema prisional. Geison é apontado como motorista do veículo usado no crime e suspeito de usar a faca. Gleison está foragido.
A Polícia Civil informou que a investigação sobre o advogado é individual e não representa a Ordem dos Advogados do Brasil nem a categoria profissional.


