O analista político Onofre Ribeiro considera que os atos de violência registrados no domingo (08), em Brasília, são consequência do cenário de polarização política que começou na eleição de 2014, quando Dilma Rouseff (PT) derrotou Aécio Neves (PSDB) e que se agravou durante o período do governo de Jair Bolsonaro (PL).
“O que aconteceu ontem foi um fruto retardado da polarização que começou em 2014, na eleição ‘Dilma e Aécio’. Veio renascer no governo Bolsonaro, fortaleceu-se muito e ficou uma polarização muito intensa. Porque a polarização deu no que deu? Era esperado. Ou se faz um processo muito forte de pacificação nacional ou, em determinado momento, essa polarização que vem se arrastando desde 2014 não terminaria bem”, disse.
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Para Onofre, os ataques aos edifícios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal assustaram o Brasil e lembraram os ataques do MST em fevereiro de 2014. “Isso não tem sido normal no país desde os ataques feitos pelo MST ainda no governo da Dilma”, disse.
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Para Onofre, a pacificação nacional depende do presidente da República, que prometeu isso durante a campanha, mas não deu sinais concretos de que trabalhará em prol dessa pacificação.
“O ministro da Justiça está desde antes de assumir fazendo ameaças, exatamente na direção da polarização e não da pacificação. E o presidente da República se elegeu falando em pacificar, mas não tem feito nenhum esforço para pacificar o país. Você tem de um lado o Supremo Tribunal Federal governando o país visivelmente, tomando medidas ao seu gosto, como se fosse governo – isso é militância judiciária. E você tem um Congresso absolutamente calado e omisso e um Executivo que é presa de um e de outro, sem ação”, avalia.
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O cenário, contudo, não parece favorável para a pacificação. Além do ministro da Justiça que ameaça os adversários, de um lado o analista vê um Legislativo omisso, de outro uma Suprema Corte que faz militância judiciária.
“Não creio que o Congresso seja capaz, nesse momento, de se organizar e promover uma política de pacificação. Então está mesmo na mão do presidente da República fazer isso. Porque o Supremo continua com militância judiciária e quem está na frente disso é o Ministro Alexandre de Moraes. Fazendo polícia. E de outro lado o Ministro da Justiça ameaçando com polícia. Então não há pacificação a vista”, concluiu.
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Fonte: Aparecido Carmo l RepórterMT


