Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Apontado como líder do CV volta a Cuiabá para exame de sanidade

João Batista Vieira dos Santos foi transferido nesta quarta-feira para a PCE após ser preso no Paraguai; Justiça determinou nova perícia psiquiátrica por junta de pelo menos três peritos

Apontado como líder do CV volta a Cuiabá para exame de sanidade
Rep. Diario de Cuiaba

Apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, João Batista Vieira dos Santos foi transferido nesta quarta-feira (30) para Cuiabá, onde ficará preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) e deverá passar por uma nova perícia psiquiátrica determinada pela Justiça.


João Batista estava custodiado na Cadeia Pública Laudemir Neves, em Foz do Iguaçu (PR), desde que foi capturado em Assunção, no Paraguai, no início de setembro. A transferência foi realizada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, com uma aeronave do Centro Integrado de Operações Aéreas e apoio da Polícia Penal do Paraná. 


A vinda para Mato Grosso havia sido determinada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Além de autorizar o recambiamento, o magistrado determinou uma nova avaliação psiquiátrica de João Batista. A perícia deverá ser realizada por uma junta formada por pelo menos três profissionais da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). 


A decisão está relacionada a um processo decorrente das investigações sobre o túnel de aproximadamente 257 metros escavado a partir de uma residência em direção à PCE, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, a estrutura teria sido construída para possibilitar o resgate de integrantes da facção presos na unidade. 


NOVA PERÍCIA
A nova avaliação deverá verificar o atual estado de saúde mental do acusado. Conforme informações sobre a decisão judicial, a Justiça quer esclarecer, entre outros pontos, se existem sinais de simulação, dissimulação ou exagero de sintomas e se o comportamento atribuído a João Batista durante o período em que esteve fora da prisão é compatível com diagnósticos apresentados anteriormente. 


A determinação ocorre depois de avaliações anteriores sobre a saúde mental do acusado terem produzido efeitos em processos criminais. A Polícia Civil passou a questionar esses resultados após reunir informações sobre a rotina que ele teria mantido enquanto estava fora do sistema prisional. A existência dessas dúvidas foi um dos fundamentos para a realização de uma nova perícia. 


A defesa havia solicitado que João Batista fosse transferido com urgência do Paraná para Mato Grosso, alegando risco à integridade física dele por estar em uma unidade prisional onde haveria integrantes de facção rival. A Justiça autorizou o recambiamento, já que os processos envolvendo o acusado tramitam em Mato Grosso. 


PRISÃO NO PARAGUAI
João Batista foi localizado em Assunção no dia 3 de setembro, depois de permanecer foragido da Justiça. Segundo as investigações, ele utilizava documentação falsa para esconder a identidade.


A prisão ocorreu em uma ação conjunta envolvendo forças de segurança de Mato Grosso, a Polícia Nacional do Paraguai e a Drug Enforcement Administration (DEA), agência antidrogas dos Estados Unidos. Após a captura, ele foi trazido ao Brasil e permaneceu preso no Paraná até a transferência desta quarta-feira.


O nome de João Batista aparece em diferentes investigações conduzidas pela Polícia Civil. Em outubro de 2025, equipes da GCCO/Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma chácara vinculada a ele. Quatro pessoas foram presas naquela ocasião. Ele também é investigado por suposto envolvimento em roubo a instituição financeira na modalidade conhecida como “Novo Cangaço”. 


RASPADINHAS
Outra frente de investigação envolve o chamado “Raspa Brasil Nacional”, esquema de raspadinhas ilegais atribuído pela polícia à facção criminosa.


Segundo a GCCO/Draco, João Batista seria responsável pela coordenação estadual do esquema e participaria da definição das diretrizes financeiras e da expansão da atividade em Mato Grosso. As investigações identificaram monitoramentos em que ele apareceria transportando banners e materiais de divulgação das raspadinhas. 


Análises de celulares também teriam identificado comunicações com outros investigados. Conforme a Polícia Civil, eram cobradas planilhas contendo estabelecimentos participantes, quantidade de bilhetes distribuídos, arrecadação e percentuais de repasse.


Depois de passar um período no Rio de Janeiro, João Batista teria deixado o país. As investigações rastrearam seu paradeiro até o Paraguai, onde acabou preso. Mesmo foragido, segundo a Polícia Civil, ele continuava utilizando redes sociais sob identidades falsas. 
Agora na PCE, ele permanecerá à disposição da Justiça. A nova perícia psiquiátrica deverá produzir um laudo a ser considerado nos processos criminais em andamento.

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