A assessora jurídica Mhayra Alves Pacheco Abes, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o advogado Ademir Rosa Gomes estão entre os alvos da Operação Falsa Vantagem, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil, que apura a atuação de uma grupo criminoso suspeito de envolvimento em um suposto esquema de influência em decisões judiciais mediante o pagamento de valores.
Segundo apurado pelo Única News, a assessora atua no gabinete do desembargador Juvenal Pereira e foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Segundo dados do Portal da Transparência do Judiciário de MT, a servidora recebeu na folha de pagamento do mês de maio deste ano, entre salário e benefícios, tais como como auxílio-moradia, alimentação e outras regalias, a remuneração líquida de R$ 23.388,72.
Conforme o delegado da GCCO, Marlon Luz, responsável pelas investigações do caso, os alvos tiveram apreendidos seus celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
De acordo com a Polícia Civil as investigações tiveram início após um detento denunciar o esquema.
O grupo em questão teria prometido aos familiares do apenado a anulação da sentença imposta pela Justiça, afirmando que eles tinham acesso à servidora responsável pelas decisões, cobrando deles o pagamento de R$ 150 mil em espécie pela garantia do benefício ilegal.
A solicitação do pagamento em espécie, conforme apurado pela GCCO, foi empregada no intuito de dificultar o rastreamento dos valores. O pagamento, no entanto, resultou apenas na redução da pena do detento, e não na anulação da sentença, conforme a quadrilha havia prometido.
Insatisfeito com o resultado, o preso passou a exigir a devolução do dinheiro pago aos envolvidos no esquema, circunstância que também é objeto da investigação.
A Polícia Civil segue com as investigações e busca agora apurar a extensão do esquema criminoso, identificar outras possíveis vítimas e individualizar a participação de cada um dos envolvidos.
Outro Lado
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) disse acompanhou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta por meio do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP), com o objetivo de garantir o respeito às prerrogativas profissionais dos investigados.
A entidade destacou ainda que o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da entidade, que poderá adotar as medidas cabíveis no âmbito administrativo da advocacia.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por sua vez, não se manifestou.
Nome da operação
O nome "Falsa Vantagem" faz menção à promessa do grupo criminoso, de obtenção de influência sobre decisões judiciais em troca de pagamento, criando nas vítimas a falsa expectativa de que teriam a garantia de resultados favoráveis perante o Poder Judiciário.


