Domingo, 4 de outubro de 2026

Assessora do TJ e advogado estão entre alvos de operação por vender decisões por R$ 150 mil

Investigação teve início após detento denunciar o esquema, onde grupo criminoso teria recebido R$ 150 mil de familiares dele para anular sua sentença, o que não ocorreu.

Assessora do TJ e advogado estão entre alvos de operação por vender decisões por R$ 150 mil
Foto: Arquivo Colíder News
A assessora jurídica Mhayra Alves Pacheco Abes, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o advogado Ademir Rosa Gomes estão entre os alvos da Operação Falsa Vantagem, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil, que apura a atuação de uma grupo criminoso suspeito de envolvimento em um suposto esquema de influência em decisões judiciais mediante o pagamento de valores.

Segundo apurado pelo Única News, a assessora atua no gabinete do desembargador Juvenal Pereira e foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Segundo dados do Portal da Transparência do Judiciário de MT, a servidora recebeu na folha de pagamento do mês de maio deste ano, entre salário e benefícios, tais como como auxílio-moradia, alimentação e outras regalias, a remuneração líquida de R$ 23.388,72.

Conforme o delegado da GCCO, Marlon Luz, responsável pelas investigações do caso, os alvos tiveram apreendidos seus celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

De acordo com a Polícia Civil as investigações tiveram início após um detento denunciar o esquema.

O grupo em questão teria prometido aos familiares do apenado a anulação da sentença imposta pela Justiça, afirmando que eles tinham acesso à servidora responsável pelas decisões, cobrando deles o pagamento de R$ 150 mil em espécie pela garantia do benefício ilegal.

A solicitação do pagamento em espécie, conforme apurado pela GCCO, foi empregada no intuito de dificultar o rastreamento dos valores. O pagamento, no entanto, resultou apenas na redução da pena do detento, e não na anulação da sentença, conforme a quadrilha havia prometido.

Insatisfeito com o resultado, o preso passou a exigir a devolução do dinheiro pago aos envolvidos no esquema, circunstância que também é objeto da investigação.

A Polícia Civil segue com as investigações e busca agora apurar a extensão do esquema criminoso, identificar outras possíveis vítimas e individualizar a participação de cada um dos envolvidos.

Outro Lado

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) disse acompanhou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta por meio do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP), com o objetivo de garantir o respeito às prerrogativas profissionais dos investigados.

A entidade destacou ainda que o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da entidade, que poderá adotar as medidas cabíveis no âmbito administrativo da advocacia.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por sua vez, não se manifestou.

Nome da operação

O nome "Falsa Vantagem" faz menção à promessa do grupo criminoso, de obtenção de influência sobre decisões judiciais em troca de pagamento, criando nas vítimas a falsa expectativa de que teriam a garantia de resultados favoráveis perante o Poder Judiciário.
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