Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Ativistas deviam cuidar do país deles, que nós cuidamos daqui

Governador critica vinda de grupo ao Brasil para pressionar contra a construção da ferrovia

Ativistas deviam cuidar do país deles, que nós cuidamos daqui
Foto: Arquivo Colíder News

O governador Mauro Mendes (DEM) criticou a mobilização de ativistas e políticos de esquerda internacionais para pressionar o Governo Federal contra a construção do Ferrogrão, ferrovia que pretende ligar o Mato Grosso ao Pará para exportação sobretudo de soja e milho.


 

Mendes afirmou que o grupo deveria cuidar dos respectivos países antes de querer dar palpite no Brasil. A resposta foi dada nesta segunda-feira (19), após o anúncio de que os ativistas, ligados à Internacional Progressista, irá desembarcar no País no dia 15 de agosto.

 

“Esses ativistas internacionais deviam cuidar do país deles. Deixa que daqui, nós cuidamos bem”, afirmou Mendes.

 

“No dia que eles tiverem nos países deles o ativo ambiental que temos no Brasil, eles venham para cá dar palpite. Por enquanto, deviam cuidar para ter 80% de floresta lá no país deles”, acrescentou.


Com cerca de 1.000 km de extensão, a obra é considerada estratégica pelo setor do agronegócio, uma vez que ligaria Sinop (MT), um dos pólos produtores de soja no Brasil, ao porto de Miritituba (PA), ajudando no escoamento da produção, principalmente soja e milho.

 

O projeto é objeto de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta questionamentos de órgão de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), e é alvo de críticas de ONGs e representantes do Ministério Público, que apontam risco de dano à Amazônia.

 

O investimento previsto é de R$ 21,5 bilhões, e a ideia é que a ferrovia entre em operação em 2030.

 

Na sexta-feira (15), em visita à Cuiabá, o ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas defendeu a obra, afirmando que interesses econômicos estão por trás de ações judiciais que emperram o início da concessão.

 

“A quem interessa não ter a Ferrogrão? O problema da Ferrogrão não é o meio ambiente. O problema da Ferrogrão é comercial”, criticou.

 

Delegação internacional

 

Uma delegação internacional de ativistas e políticos de esquerda desembarca no Brasil no dia 15 de agosto para pressionar contra a construção da Ferrogrão.


A comitiva é ligada à Internacional Progressista, entidade criada no ano passado pelo senador americano Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis, e que reúne políticos, ativistas e celebridades de diferentes países.

 

Segundo o economista americano David Adler, coordenador-geral da organização, a delegação ainda está sendo fechada, mas deverá incluir parlamentares de países como Espanha e Alemanha, lideranças indígenas dos EUA, ativistas ambientais e sindicalistas. Também deverá haver representantes de países latino-americanos.


A visita atende a um convite da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), ONG que é uma das principais oponentes da Ferrogrão.

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