A cervejaria Backer entregou um vídeo à Justiça de Minas Gerais com um suposto indício de sabotagem nos barris de monoetilenoglicol, substância usada para o resfriamento dos barris de cerveja.
Até o momento, as investigações apontam 4 mortes relacionadas à intoxicação por dietilenoglicol presente em lotes da cerveja Belorizontina, da fabricante de Belo Horizonte.
A sabotagem teria ocorrido na composição do monoetilenoglicol. A Backer nega o uso do dietilenoglicol e anexou o vídeo ao pedido para retomar suas atividades.
Na última quarta-feira (15), o Ministério da Agricultura divulgou que a água usada na linha de produção da cervejaria estava contaminada com a substância dietilenoglicol, que, se for ingerida, causa uma síndrome nefroneural (atinge rins e o sistema nervoso).

“O impetrante juntou aos autos vídeo supostamente contendo indícios de sabotagem nos barris de monoetilenoglicol por ele adquiridos junto ao seu fornecedor. Todavia, não cabe a análise dessa questão na via estreita do mandado de segurança”, disse a juíza federal substituta, Anna Cristina Rocha Gonçalves, na decisão.
Na decisão liminar, a juíza determinou a ordem de recolhimento já iniciada sobre todas as cervejas das marcas Belorizontina e Capixaba. Já em relação às demais marcas produzidas pela Backer, ela pediu o recolhimento apenas dos lotes indicados como contaminados pelo Ministério da Agricultura.
A juíza também autorizou o envase dos tanques não lacrados relativos a outras marcas da cervejaria, exceto Belorizontina e Backer, “mantendo-se o acautelamento das garrafas no parque industrial da impetrante até que sua
comercialização seja liberada pelo Ministério da Agricultura”, sublinhou.
A magistrada ainda deu um prazo de 48 horas para que a Backer recolha todos os lotes especificados pelo Ministério da Agricultura. Também determinou o mesmo prazo para que o ministério inicie a apresentação da análise laboratorial dos demais tanques ainda não periciados.
“Observando a ordem de fabricação do produto, da mais antiga para a mais recente, de modo a evitar o perecimento dos produtos que testarem negativo para qualquer dos agentes contaminantes, os quais serão liberados para envase”, acrescentou a juíza, que só autorizou a volta da comercialização de todas as cervejas engarrafadas se o ministério constatar que elas estão livres de contaminação após os testes.
Na tarde desta quinta (16), a Secretaria de Saúde de Minas Gerais confirmou a quarta morte relacionada ao consumo das cervejas contaminadas. A vítima é uma mulher que morreu no dia 28 de dezembro em Pompéu, interior de Minas. Ao todo, são 18 casos, incluindo mortes e internações por intoxicação por dietilenoglicol.


