Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Bandidos usam foto de advogada e lesam idosos na capital do estado.

Nas últimas duas semanas criminosos entraram em contato com ao menos 25 clientes de Camila Santos

Bandidos usam foto de advogada e lesam idosos na capital do estado.
Foto: Arquivo Colíder News

A advogada Camila Regina Santos, de 39 anos, denunciou que o seu nome e a sua imagem estão sendo usados para aplicar uma nova modalidade de golpes na Capital, usando processos em andamento na área da Previdência Social.


Camila chegou a registrar um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Repressão de Crimes Informáticos no dia 5 de junho, após descobrir o esquema. Uma colega a alertou dizendo que entraram em contato com um cliente usando a foto dela.

 

Em conversa com o MidiaNews, Camila explicou como é o golpe, que já fez pelo menos oito vítimas entre seus clientes. Os criminosos já contataram pelo menos 25 clientes dela, principalmente idosos, nas últimas duas semanas.


“Eu atuo desde 2007 na área de Previdência Social. A maioria dos meus clientes são pessoas idosas ou humildes, são pessoas que não têm muita instrução”, disse.

 

“Eles [golpistas] estão entrando em contato, forjam documentos da Justiça, como se fosse um documento de precatório, para recebimento, uma assinatura do suposto juiz, um número de processo, o nome da pessoa, falando que tem um dinheiro para receber”.

 

As vítimas em questão de fato têm valores a receber em um processo em andamento, no qual, no entanto, ainda não foi emitida sentença.

 

"Eu não sei como eles conseguem os dados, porque eles têm dados que nem eu tenho. Por exemplo, número de telefone de parentes. Não sei como conseguem", diz a advogada.

 

Em prints feitos pelas vítimas, é possível ver a engenhosidade dos criminosos, que começam atraindo as vítimas falando sobre a causa ganha.

 

“Eles mandam para o cliente assim: 'Olha, aqui é a dra Camila, nós obtivemos um ganho na sua causa, você tem R$ 50 mil para receber'”.

Reprodução

Print de golpe

Golpista pedindo valor para que valores sejam liberados

 

Nesse momento a pessoa é fisgada e começa a conversar com o golpista. Em seguida são solicitados os dados bancários para o depósito, mas as vítimas esbarram em uma suposta cobrança de Imposto de Renda.

 

“Eles falam que só está tendo um problema, que o Imposto de Renda está sendo cobrado em 27,5%. Que como se trata de aposentadoria, deveria cobrar uma taxa menor e falam que será cobrada uma taxa para pedir a isenção do Imposto de Renda”, explicou.

 

Para o tal procedimento, os golpistas dizem que a pessoa deve realizar um Pix no valor R$1.990 e que no dia seguinte o valor total do processo estará disponível na conta. Os valores dos processos se aproximam de R$ 50 mil.

 

Segundo Camila, para além da engenhosidade em criar documentos falsos e encontrar as vítimas, os criminosos contatam até mesmos familiares delas.

 

“Teve cliente que não atendeu e eles ligam para os filhos; nem eu tenho o contato dessa filha. Eles estão ligando para parentes que nem eu tenho esses contatos”, disse.

 

Além dos clientes de Camila que caíram no golpe, pelo menos dois colegas dela tiveram relatos similares.

 

“Tem que ficar atento que o número de telefone não é o mesmo da gente. Nós não pedimos dinheiro de forma alguma antes do recebimento da ação. O cliente só vai pagar depois que receber, que o dinheiro estiver na conta dele”, alertou.










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“Não cobramos nada pelo WhatsApp. Quando sai o dinheiro ligamos para o cliente vir no escritório e vamos juntos com ele receber. Esse é o procedimento do meu escritório”.

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