O novo caça vai complementar e, depois, substituir os F/A-18E/F Super Hornet e os EA-18G Growler de guerra eletrônica a partir da década de 2030, operando ao lado do F-35C. Segundo o comunicado, o F/A-XX também será capaz de operar em conjunto com plataformas tripuladas e não tripuladas, como as aeronaves de combate colaborativas (CCA), os drones de combate que acompanham os caças.
O subsecretário da Guerra para Aquisição e Sustentação, Michael P. Duffey, classificou o programa como um investimento “inegociável” na segurança nacional. Segundo ele, o caça vai dominar espaços aéreos contestados e ampliar o alcance operacional americano. O secretário interino da Marinha, Hung Cao, disse que a escolha “marca uma nova era para a Marinha dos EUA”.
Boeing com os dois caças

Com a vitória, a Boeing passa a desenvolver e construir os caças tripulados de sexta geração tanto da Marinha quanto da Força Aérea. Em março de 2025, a empresa já havia vencido a disputa pelo caça da Força Aérea, hoje designado F-47. A proposta da Boeing para a Marinha seria uma adaptação naval desse projeto.
O presidente da divisão de defesa da Boeing, Steve Parker, afirmou que desenvolver os dois caças em paralelo “sempre foi o plano” e que a empresa investiu para isso. A capacidade de tocar os dois programas ao mesmo tempo foi um dos pontos mais debatidos na reta final da concorrência.
A disputa final foi com a Northrop Grumman, depois que a Lockheed Martin foi eliminada em 2025 por não atender aos requisitos. A derrota deixa a Northrop sem uma linha de caças tripulados. A empresa não fabrica um caça desde o fim da era do F-14 Tomcat e a derrota do YF-23 na competição que originou o F-22. Ao longo de 2026, a Northrop defendeu publicamente sua capacidade de construir o avião. Em abril, o diretor financeiro da empresa, Ken Warden, disse que ela estava pronta para executar o programa.
Um programa que quase parou
O caminho até o contrato foi turbulento. Em junho de 2025, o orçamento do Pentágono para o ano fiscal de 2026 previa apenas cerca de US$ 74 milhões para o F/A-XX, o suficiente para manter o projeto vivo, mas não para contratar o desenvolvimento. O Congresso reagiu: aprovou cerca de US$ 897 milhões para o programa e determinou que a Marinha assinasse um único contrato de desenvolvimento e fabricação.
O prazo também escorregou. Em abril, o chefe de Operações Navais, almirante Daryl Caudle, anunciou que a escolha seria feita em agosto. O mês terminou sem decisão, e o anúncio só veio no fim de setembro. Em janeiro, Caudle já havia alertado para a urgência: segundo ele, a capacidade dos aviões atuais de voar “com impunidade” está com os dias contados, e se a construção do novo caça não começar logo, ele demorará a chegar.
O que se espera do F/A-XX
A necessidade de um substituto para o Super Hornet existe desde 2008, e o primeiro pedido formal de informações à indústria foi emitido em 2012. Ainda não há dados públicos detalhados sobre o avião. Segundo autoridades da Marinha, ele deve ter:
- cerca de 25% mais alcance que o F-35C;
- capacidade de interferência eletrônica mais avançada que a do Growler;
- sistemas para controlar desde o início vários drones de combate colaborativos.
Caudle resume a importância do avião em três pontos: o comando dos drones, a capacidade de penetrar defesas e o papel de avião de ataque eletrônico quando os Growlers forem aposentados. O alcance será ampliado pelo reabastecimento em voo feito pelos drones-tanque MQ-25 Stingray, a partir dos próprios porta-aviões.
Diferentemente do F-47, pensado principalmente para a superioridade aérea, o F/A-XX será multifunção, otimizado para ataque contra alvos em terra e no mar, mas também capaz de participar da defesa da frota. A Marinha também definiu que o avião será tripulado, descartando a versão opcionalmente tripulada que chegou a ser estudada. Em 2024, a Marinha indicou ainda que preferia um motor derivado de modelos existentes, em vez do motor de ciclo adaptativo financiado pela Força Aérea.
Para analistas, a decisão também responde à concorrência chinesa. Roman Schweizer, da consultoria TD Cowen, lembrou que a China tem sido “incrivelmente ambiciosa” ao fabricar protótipos de aviões de sexta geração e colocar em serviço caças e bombardeiros de quinta geração.■



