Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Brasil é o que mais ganha com retirada da Rússia do MSCI

Estrangeiros injetaram 65,3 bilhões de reais (US$ 13,7 bilhões) no mercado de ações brasileiro nos primeiros três meses do ano, o maior volume para qualquer trimestre desde pelo menos 2008, de acordo com dados da B3 compilados pela Bloomberg.

Brasil é o que mais ganha com retirada da Rússia do MSCI
Foto: Arquivo Colíder News

O Brasil está saindo na frente depois que a Rússia foi arrancada de um dos indicadores de ações de mercados emergentes mais seguidos do mundo.


A maior economia da América Latina foi a maior vencedora da exclusão dos títulos russos do MSCI Emerging Markets Index em resposta à invasão da Ucrânia pelo regime de Vladimir Putin.

As ações brasileiras representavam 5,93% do índice de referência no início de abril, um aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao final de janeiro, segundo dados da MSCI.

Esse é mais um impulso para as ações do país, que já registram o melhor desempenho em dólar no mundo este ano, com o Ibovespa subindo mais de 30%. Com mais US$ 16 trilhões de ativos usando os produtos da MSCI como referência, o rearranjo pode ter importância monumental para o fluxo de dinheiro.

Alguns dos maiores fundos negociados em bolsa voltados para mercados em desenvolvimento - incluindo da BlackRock - estão vinculados aos índices da MSCI.

A “exclusão da Rússia dos índices de ações dá mais exposição a outros exportadores líquidos de commodities na América Latina”, disse Leonardo Pelandini, estrategista do Julius Baer, com sede em Zurique. “Os investidores encontram uma maneira melhor de se expor a preços mais altos de commodities, mas isolados, pelo menos geograficamente, dos riscos geopolíticos.”

Estrangeiros injetaram 65,3 bilhões de reais (US$ 13,7 bilhões) no mercado de ações brasileiro nos primeiros três meses do ano, o maior volume para qualquer trimestre desde pelo menos 2008, de acordo com dados da B3 compilados pela Bloomberg.

Investidores globais têm sido atraídos por valuations relativamente baratas após anos de baixo desempenho e o grande número de empresas brasileiras que se beneficiam dos preços mais altos das commodities.

O Itaú BBA estimava no início do mês passado que as ações brasileiras iriam atrair US$ 1,3 bilhão em fluxos à medida que os investidores realocassem dinheiro após a retirada das ações russas.

Outras nações latino-americanas, incluindo Chile, Colômbia, México e Peru, também viram suas ações aumentarem após a exclusão da Rússia. Como produtores de commodities, eles também podem ter uma vantagem sobre outros países em desenvolvimento, desde que os preços das matérias-primas continuem subindo.

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“A melhor oportunidade dos altos preços das commodities está nos exportadores de cobre, Chile e Peru”, disse Hasnain Malik, estrategista de ações de mercados emergentes da Tellimer em Dubai. “Eles têm risco político, mas isso é bem compreendido, não são tão caros e, em combinação, são o equivalente à OPEP+ para o cobre.”

Ações da Coreia do Sul, Índia e África do Sul também se beneficiam do rearranjo, pois seus pesos aumentaram mais de meio ponto percentual desde o final de janeiro.

Fonte: Tugce Ozsoy e Sydney Maki l Bloomberg

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