Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Câmara exonera assessor de petista preso por tráfico e ligação com CV

Ele estava lotado no gabinete do vereador Ary Campos, em Rondonópolis

Câmara exonera assessor de petista preso por tráfico e ligação com CV
Foto: Arquivo Colíder News
O presidente da Câmara de Vereadores de Rondonópolis (218 km de Cuiabá), Paulo Schuh (PL), determinou a exoneração do assessor parlamentar, João Paulo Lopes da Cruz, que estava lotado no gabinete do vereador Ary Campos (PT), nesta terça-feira (30). Ele foi preso e apontado como uma das principais lideranças do grupo criminoso investigado na Operação Eclipse, deflagrada pela Polícia Civilnesta terça-feira (30).

A operação desvendou um sofisticado esquema de lavagem de capitais operado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), atuante na cidade de Água Boa, com ramificações em Rondonópolis e Barra do Garças. O pedido da exoneração foi solicitado pelo vereador Ary Campos após tomar conhecimento na investigação. Conforme o portal da transparência, João Paulo recebia um salário de R$ 5,9 mil.

Na ação, foram cumpridas 18 ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) de Cuiabá e cumpridas nas cidades de Água Boa, Barra do Garças e Rondonópolis. Desse total, 14 foram mandados, sendo sete de busca e apreensão e sete de prisão preventiva. As outras quatro corresponderam a medidas cautelares, sendo dois bloqueios de contas bancárias e dois sequestros de bens.

Ao final, foram presas seis pessoas, dentre elas o assessor de vereador petista de Rondonópolis. As investigações desencadeadas pela delegacia de Água Boa revelaram vasta rede de movimentações financeiras realizadas pelo grupo criminoso, voltadas à inserção e dissimulação de recursos ilícitos, principalmente provenientes do tráfico de drogas, no comércio local de diversos municípios de Mato Grosso.

O “Vale Crédito” se apresentava como serviço de empréstimos a comerciantes, porém, na realidade, funcionava como mecanismo de infiltração de capitais ilícitos, mediante cobrança de juros e pulverização de valores em contas de terceiros, dificultando o rastreamento e conferindo aparência de legalidade ao dinheiro da facção.

De acordo com as informações do delegado Bruno Gomes, os criminosos cobravam juros abusivos dos comerciantes.  A investigação apontou que João era responsável pela lavagem de dinheiro do grupo e recebia recursos obtidos por meio do tráfico de drogas e agiotagem. Na casa dele, os agentes apreenderam cerca de R$ 14 mil.

As investigações apontam que ele recebia valores provenientes de empréstimos simulados a comerciantes de Água Boa. Os empréstimos eram concedidos por uma empresa de fachada utilizada pela facção criminosa para lavar recursos obtidos com o tráfico de drogas. A apuração revelou que os valores circulavam como se fossem frutos de operações financeiras regulares, quando na realidade eram originados de atividades ilícitas. O assessor foi identificado a partir da análise de contas bancárias e comunicações que demonstraram o vínculo direto com os operadores do esquema.

"O grupo atuava aqui na cidade de Água Boa, também na cidade de Barra do Garças e, por fim, na cidade de Rondonópolis, onde situava-se a principal liderança que recebia esses recursos obtidos por meio de práticas criminosas, desde o tráfico até a prática da agiotagem e era responsável pela lavagem de dinheiro. Na cidade de Rondonópolis foram presas duas pessoas em cumprimento de prisão preventiva, assim como foi sequestrado veículo de luxo, fruto das atividades criminosas. Também na cidade de Barra do Garças foram presas mais duas pessoas que atuavam nesses  empréstimos com juros abusivos e, na cidade de Água Boa, foram presas mais duas pessoas que eram responsáveis pelo empréstimo local, levantamento de comerciantes e, demais, a regimentação de criminosos", disse o delegado.

ASSESSOR DE VEREADOR

João é assessor do vereador Ary Campos em de Rondonópolis. O parlamentar teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por supostas ligações com a facção criminosa Comando Vermelho. Entretanto, por não haver decisão colegiada da segunda instância do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), o parlamentar continua no cargo.

No processo, o vereador, que também é advogado, alega que não foi comprovada a suposta ligação com a facção criminosa. A denúncia revela que membros do CV teriam coagido lojistas a pedir votos para o candidato nas eleições de 2024. Ele foi eleito com 1.960 votos. Segue no cargo diante de recursos na Justiça Eleitoral. Em setembro de 2024, o parlamentar petista chegou a ser preso durante a campanha eleitoral. Ele era acusado dinheiro de facção para se promover politicamente.
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