Domingo, 11 de outubro de 2026

Câncer no pulmão é o 1º mais mortal e não está relacionado somente ao tabagismo

Segundo o Inca, o número de pessoas não fumantes que desenvolvem o câncer tem crescido a cada ano

Câncer no pulmão é o 1º mais mortal e não está relacionado somente ao tabagismo
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

O mês de agosto é voltado para a campanha “Agosto Branco”, para chamar a atenção para o tumor que é considerado o primeiro em mortalidade no mundo, o câncer no pulmão.


Quando se fala na doença, a maioria das pessoas associa ao tabagismo, porém, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número de pessoas não fumantes com câncer no pulmão tem crescido cada vez mais, de 10% a 20%.  

Segundo o instituto, cerca de 85% das causas de câncer no pulmão estão ligadas ao tabagismo e, desde 1985, é o primeiro câncer com mais mortalidade no mundo e o segundo mais desenvolvido nas pessoas, ficando atrás apenas do câncer de mama. Só nos últimos dois anos – 2020 e 2021 -, foram registrados mais de 30 mil mortes por causa de câncer no pulmão.  

Aliás, não apenas desse tipo de tumor. Segundo o Inca, em 2017 - ano recorde até hoje -, 73.500 pessoas foram diagnosticadas com algum tipo de doença provocada pelo tabagismo. Desse número, 428 pessoas morreram diariamente por conta do hábito. Os mais atingidos pelo câncer no pulmão são os homens, com 60%, e as mulheres ficam atrás, com 40%. A prática pode causar cerca de 50 doenças, principalmente as cardiovasculares.  

O médico especialista em câncer pulmonar e cirurgião torácico, Marcelo Borges Araujo, que atua em Cuiabá, comenta que uma pessoa que nunca fumou e, por acaso, desenvolve o câncer no pulmão, tem mais ‘vantagens’ do que a pessoa fumante. Ele lembrou um caso curioso de duas pacientes, que eram irmãs gêmeas, e as duas desenvolveram câncer no pulmão: uma era fumante e a outra nunca tinha fumado. A que não era fumante fez o tratamento oncológico apenas com remédios e foi curada. Já a irmã que foi fumante por muitos anos não resistiu e morreu.  

O cigarro, além de causar câncer, ele causa enfisema e perda da capacidade funcional do pulmão, ou seja, o pulmão para de funcionar. Então, quando você não é fumante, o tratamento tem chances maiores de dar certo. Por exemplo, se você precisar retirar parte do pulmão, o que fica é muito mais sadio e consegue viver com muito mais qualidade de vida. Diferente de quem já foi ou é fumante, muitas vezes não dá tempo nem de fazer o tratamento. Quem não é fumante tem cerca de 90% de chances de sobrevivência e cura, ao contrário do fumante, que tem 10% apenas de chances em reverter o quadro”, explicou o médico.  

O Inca alerta ainda que a fumaça do tabaco contém mais de 7 mil substâncias químicas e, no mínimo, 69 provocam câncer de pulmão. O cigarro aumenta 20 vezes mais a chance de desenvolver um câncer ou qualquer outra doença. Também informa que a cada dia tem reduzido o número de usuários do cigarro tradicional, já que a indústria está sempre tentando inovar.  

A nova moda no país tem sido os narguilés e, por último, os cigarros eletrônicos – conhecidos como vapers. Esses tipos de cigarro têm capacidade de desenvolver dependência da nicotina ainda maior que o cigarro comum, além de causar, em curto prazo, os danos respiratórios e cardiovasculares. Os cigarros eletrônicos são aparelhos que funcionam por bateria de lítio e um cartucho ou refil, que armazena o líquido. O aparelho possui um atomizador, que aquece e vaporiza a nicotina. Ele ainda é acompanhado de um sensor que no momento da tragada, ativa a bateria e a luz de led.  

“A indústria do tabaco está tentando inovar com novas modalidades, que são os narguilés e vapers. Porém, a fumaça é tão maléfica quanto o cigarro tradicional, chega a ser até mais letal. E tem sido cada vez mais preocupante, porque tenho recebido pacientes muito jovens, que estão iniciando precocemente, mas é algo que vai ficar com você para o resto da vida. Já tenho, inclusive, paciente jovem que perdeu parte do pulmão e ainda tem uma vida inteira pela frente. Como tenho também aqueles que não tiveram a oportunidade de continuar a vida”, comentou o especialista Marcelo.  

Em julho deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a proibição não só da venda do cigarro eletrônico, como também da importação e propaganda no Brasil. A proibição começou em 2009, mas a comercialização ainda ocorre de forma ilegal no país.  

No entanto, o médico alertou que mesmo com maiores possibilidades de sobrevivência para os não fumantes que desenvolveram o câncer, o tratamento e cuidados devem ser tomados delicadamente da mesma maneira. Segundo ele, é letal da mesma maneira, só que com porcentagem menor.  

É o caso da secretária acadêmica, Kellen Cristina Proença, de 48 anos, que nunca foi fumante. Há dois anos, ela vem lutando contra o câncer no pulmão. Quando ela descobriu, já estava tarde, pois estava na fase 4, considerada pelos especialistas como ‘gravíssima’.  

“Eu comecei a sentir dores na região da costela há algum tempo. Cheguei a tomar remédios achando que eram gases, porém a dor nunca passava. E também nunca passou pela minha cabeça ser um câncer de pulmão, até porque eu nunca fumei. As pessoas costumam associar o câncer de pulmão ao tabagismo. Muitas pessoas estão com câncer de pulmão e nunca fumaram, como é o meu caso”, disse.  

Ela comentou que descobriu a doença na época da pandemia da covid-19 e, quando sentiu as dores, achou até ser o vírus, porém, ao fazer o exame de sangue, testou negativo. Quando ela foi ao médico questionar as dores na costela, ele solicitou uma tomografia, foi quando descobriu a doença.  

Para uma análise mais formal do médico, foi solicitado uma biópsia. Ela lembrou que, na época, foi difícil fazer o exame, mesmo particular, pois ele precisava de internação e, por estar no auge da covid, Kellen não encontrava uma unidade com vaga. Depois de um pouco mais de um mês, ela conseguiu vaga. No resultado constou que o câncer no pulmão estava no estágio 4, já com metástase na traqueia e viaorta.  

“Estou há dois anos nessa batalha. Nessa luta de fazer exame, fazer quimio. Comecei com tratamento de remédio, mas ele não estava fazendo efeito e partimos para a quimio. Depois de um tempo, teve a progressão da doença. No pulmão, aumentou, na traqueia, aumentou, na viaorta, também e apareceu em outros dois pontos. Tudo próximo ao pulmão. Fiz três sessões de quimioterapia da mais forte que tem. Foi terrível. Fiquei muito mal. A princípio, o meu médico disse que é incurável o meu caso e a quimioterapia vai ter que ser feita para o resto da vida. Mas acredito que, para Deus, nada é impossível”, disse.

Para encerrar, o médico pulmonar ressaltou a importância do fumante tentar deixar de lado o tabagismo e chamou atenção para os cuidados da saúde.  

“Antigamente era usado muito o cigarro tradicional e as pessoas usavam mais por prática de passatempo, por falta de informação. Hoje em dia é inaceitável uma pessoa fumar e dizer que não sabe o mal que pode causar. Sabemos que o vício é difícil, mas pela saúde deve se fazer esforço. A hora de largar é qualquer hora e a hora é agora”, finalizou Marcelo.

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SINTOMAS

O especialista em câncer pulmonar explicou que muitas vezes os pacientes descobrem a doença tardia, por ser silenciosa. Quando os sinais começam a aparecer, geralmente a doença já está tardia.  

Os sintomas são cansaço, tosse, expectoração com sangue, dor no peito, dificuldade para respirar, rouquidão e perda de peso e de apetite.  

CAUSAS

As causas, além de 85% ser por conta do tabagismo, entra outros fatores estão tabagismo passivo (quando alguém convive com um fumante); exposição á poluição atmosférica; produtos químicos como metal, cobre e ferro; venenos para agricultura; infecções pulmonares; doença pulmonar crônica, entre outros. 


FONTE:https://www.hnt.com.br/cidades/cancer-no-pulmao-e-o-1-mais-mortal-e-nao-esta-relacionado-somente-ao-tabagismo/295251

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