Sábado, 3 de outubro de 2026

Carteira perdida faz mãe e filho se reencontrarem após 51 anos

Postagem no Facebook permitiu que aposentado reencontrasse a mãe, com quem havia perdido contato

Carteira perdida faz mãe e filho se reencontrarem após 51 anos
Foto: Arquivo Colíder News

Uma carteira perdida e uma postagem no Facebook compartilhada mais de 100 mil vezes permitiram que o aposentado Daniel Amaral Sobrinho, de 68 anos, reencontrasse a mãe, que ele não via há 51 anos.

 

Tudo começou no dia 4 de setembro, quando o fotógrafo cuiabano Luciano Prado achou a carteira de Daniel em uma rua do Bairro Novo Horizonte, em Cuiabá. No pertence estavam os documentos e R$ 432 do aposentado.

 

Com a intenção de encontrar o dono o mais rápido possível, Luciano resolveu fazer um post no Facebook para, com sorte, conseguir devolver a carteira ao proprietário. Apesar do esforço, o fotógrafo não esperava uma mobilização de grandes proporções - o pedido de ajuda alcançou a marca de 101 mil compartilhamentos na rede social.


Com a ajuda de uma colega que trabalha na Secretaria de Segurança Pública, foi possível localizar o endereço de Daniel. Prontamente Luciano foi até a residência da família e devolveu a carteira com todos os itens. Neste momento, o fotógrafo imaginou que a história estava encerrada, com o dono recebendo de volta o que era seu. Mal sabia ele a reviravolta que o caso teria.

 

“No dia 18 de outubro, um dos netos de Daniel fez um comentário na postagem sobre esse final feliz, que ele havia reencontrado a mãe após reconhecerem sua foto na postagem”, relata.

 

51 anos sem contato

 

Daniel e a família viviam desde seu nascimento no Distrito de Posto da Mata no Município de Nova Viçosa (BA). Muito jovem, ainda com 17 anos, Daniel conta que decidiu sair de casa e se mudar para São Paulo, em busca de novas oportunidades de emprego e melhoria de vida.

 

Ele ficou em São Paulo por cerca de dois anos antes que decidisse retornar para Bahia e encontrar de novo os familiares. No entanto, ao chegar em Posto da Mata no endereço em que morava com a mãe e o irmão mais novo, Daniel não os encontrou mais. O aposentado relembra que conversou com seus vizinhos e perguntou sobre a família, porém eles disseram que os parentes haviam se mudado e não informaram o novo endereço.

 

À época, em 1969, Daniel conta que não era fácil manter contato constante com os familiares. E lamenta não haver, naquele tempo, ferramentas tecnológicas capazes de aproximar pessoas em um clique, como existem hoje. Então, com apenas o endereço antigo na memória, ele já não sabia como localizar sua mãe e irmão.

 

“Procurei bastante por ela. Andei por esse mundão de meu Deus, mas não consegui. Foi apenas graças à postagem que ela conseguiu me reconhecer”, afirma.

 

O reencontro

 

Depois de perder contato com a família, Daniel foi trabalhar em uma empresa que o fez viajar por diversos estados como São Paulo, Rio de Janeiro e, algum tempo depois, Mato Grosso. O pedreiro se mudou para Cuiabá há 41 anos, porém, antes de se estabelecer definitivamente na Capital, permaneceu um tempo entre Mato Grosso e Rondônia devido ao trabalho.

 

No entanto, foi em território cuiabano que ele constituiu sua família, formada pela esposa, cinco filhos, netos e bisnetos. Muito próximo dos entes queridos, o pedreiro ainda sentia falta da mãe, mas não tinha certeza se ela ainda estaria viva após tantos anos distante. Porém após uma jogada do destino, a foto de Daniel caiu nas mãos da família que abrigava sua mãe, na cidade de Linhares, interior do Espírito Santo, a 2.188 quilômetros de Cuiabá.

 

Facebook/Luciano Prado

Postagem no facebook

Dona Ana, de 90 anos, reconheceu a foto de identidade do filho

Ana Mota Riveira, de 90 anos, reconheceu o filho e imediatamente pediu que as pessoas que cuidam dela entrassem em contato para fazer o reencontro.

 

“Falei com ela pela primeira vez por telefone e agora a gente se fala sempre que pode. Ela não gosta de falar muito sobre o assunto de nós termos perdido o contato, mas ficou muito alegre e emocionada com o nosso reencontro pelo celular”, conta.

 

Os filhos, netos e bisnetos de Daniel também nunca tiveram nenhum contato e informações sobre a avó, por isso, quando a família se reuniu para uma chamada de vídeo, o aposentado conta que a emoção fluiu de todos os lados, levando quase todos os envolvidos as lágrimas, inclusive ele mesmo.

 

Daniel também conheceu a família com quem vive sua mãe, pessoas que a abrigaram mesmo sem nenhum vínculo sanguíneo. Apesar da idade avançada, o pedreiro conta que a mãe permanece muito lúcida e com a saúde em dia e, assim como os familiares cuiabanos, não poupou as lágrimas durante o reencontro.

 

Na primeira conversa após o reencontro com o filho, mesmo sem tocar muito no assunto do desencontro de 51 anos, ela confidenciou que também havia perdido contato com o irmão mais novo de Daniel, tempos depois de ter se mudado do distrito onde moravam.

 

Apesar desta outra tristeza, Dona Ana se sente grata por poder ter encontrado seu primogênito após tantos anos.

 

O aposentado já planeja a visita pessoalmente para poder abraçar a mãe de novo após as longas cinco décadas.

 

“Tenho planos de ir agora no final do ano, estou juntando dinheiro para conseguir vê-la. A minha filha conversou bastante com ela e vai descer comigo para visitar minha mãe. Mas a verdade é que queria trazer ela para Cuiabá, para conhecer os netos, bisnetos e tataranetos”.

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