Em julgamento finalizado neste domingo (13/11), a ex-deputada federal Flordelis dos Santos Souza e a filha, Simone dos Santos Rodrigues, foram condenadas pela morte do pastor Anderson do Carmo, assassinado em junho de 2019.
Após decisão do Tribunal do Júri de Niterói, no Rio de Janeiro, em sessão com mais de 21 horas de duração, a pastora e ex-parlamentar foi condenada a 50 anos e 28 dias de prisão por quatro crimes.
Ela foi condenada por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou defesa da vítima); tentativa de homicídio duplamente qualificado; documento falso; e associação criminosa.
Além de Flordelis e Simone, seis pessoas haviam sido condenadas pela participação no assassinato de Anderson do Carmo.Simone, filha biológica da ex-deputada, foi condenada a 31 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado e associação criminosa armada.
Em novembro de 2021, Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da ex-deputada, foi condenado a 33 anos e dois 2 de prisão por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, uso de documento falso e associação criminosa. Flávio foi denunciado como autor dos disparos que mataram Anderson.
Na mesma sessão, Lucas Cezar dos Santos de Souza, filho adotivo de Flordelis, foi condenado a nove anos de prisão por por homicídio triplamente qualificado. Ele foi acusado de comprar a arma usada no crime.
Marcos Siqueira Costa e Andrea Santos Maia, que não têm parentesco com ninguém da família, mas que se envolveram no crime, foram condenados por uso de documento falso e associação criminosa armada Reprodução TV Globo

Em 2019, o assassinato do pastor Anderson do Carmo de Souza revelou a existência de um esquema criminoso dentro da estrutura familiar da ex-deputada federal Flordelis. À época, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) deflagrou uma operação que apontou ao menos 10 pessoas envolvidas na morte do religioso Igor Estrela/Metrópoles
Após as investigações, a pastora Flordelis (PSD-RJ) foi indiciada como a mandante do crime. Contudo, devido ao foro privilegiado que tinha, ela não pôde ser presa em um primeiro momento. Os filhos do casal, no entanto, não tinham o mesmo privilégio, o que fez com que sete deles fossem presos suspeitos de participação no assassinatoIgo Estrela/Metrópoles
Flordelis, na verdade, é mãe de 51 filhos adotivos e quatro biológicos. Pastora e cantora gospel, ela foi a deputada federal do RJ mais votada e teve a história de vida contada em um filme estrelado por Bruna Marquezine, Reynaldo Gianecchini, Rodrigo Hilbert e Deborah Secco Facebook/Reprodução
Em 1994, a cantora adotou 37 crianças sobreviventes da Chacina da Candelária. Junto com outros filhos que já tinha, fundou o ministério Flordelis. Dentre esses filhos, estava o pastor Anderson do Carmo, que, inclusive, também chegou a se envolver com Simone, filha biológica da pastora, antes de se casar com FlordelisReprodução
Quando oficializaram a união, Anderson tinha 17 anos. Flordelis, 33. Segundo o relato de uma testemunha, que afirma ter morado na casa com os envolvidos no crime, tanto a ex-deputada quanto o pastor tinham relações sexuais com os filhosredes sociais/ reprodução
O assassinato de Arderson do Carmo de Souza, ocorrido na madrugada de 16 de junho, foi apontado por Flordelis, em uma primeira ocasião, como latrocínio. Contudo, segundo a polícia, a câmara de segurança da residência não apontou a presença de nenhum desconhecido na casaAgência Brasil
Outro ponto que chamou atenção durante as investigações foi o celular da vítima, que não foi encontrado no local do crime. Flordelis sustentou que o aparelho havia desaparecido, mas, tempos depois, agentes conseguiram traçar caminho percorrido pelo aparelho por conta dos dados de telefoniaReprodução
Informações coletadas apontaram que o telefone de Anderson havia sido conectado ao wi-fi da casa de um senador, logo após o crime, e, tempos depois, foi ligado novamente em Brasília. A assessoria da Flordelis informou, à época, que não comentaria a investigação. O celular nunca foi encontradoReprodução
Já no celular de Flordelis foi identificada uma troca de mensagens entre a ex-deputada e filhos dela com a informação de que a morte de Anderson seria “a única saída”. “Fazer o quê? Separar dele não posso, porque senão ia escandalizar o nome de Deus”, escreveu a mulherCleia Viana/Câmara dos Deputados
Segundo a Polícia Civil, foi constatado que Flordelis já havia tentado matar Anderson envenenado em diversas outras ocasiões, e o motivo seria o controle do dinheiro da igreja e de poder dentro da família Rafaela Felicciano/Metrópoles
Após todas as revelações, o PSD, partido de Flordelis, suspendeu a filiação dela e, tempos depois, o Conselho de Ética da Câmara aprovou cassação da deputada. Hoje, ela está presa e responde por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armadaReprodução
Durante o velório de Souza, um dos filhos biológicos da pastora, Flávio, foi preso como autor dos disparos. Tempos depois, Lucas, um dos filhos adotivos de Flordelis, também foi levado pela polícia suspeito de ter fornecido a arma a Flávio. Lucas negou participação no crime. Porém, os dois foram condenados pela JustiçaAdriana Cruz/Metrópoles
Também foram condenados os filhos: Adriano dos Santos Rodrigues, por uso de documento falso e associação criminosa armada, e Carlos Ubiraci Francisco da Silva, o Neném, por associação criminosa. Carlos foi absolvido da acusação de homicídioReprodução TV Globo
São réus: André Luiz de Oliveira, por uso de documento falso e associação criminosa, Marzy Teixeira da Silva, por ter recebido dinheiro para pagar a morte do pastor, e Simone dos Santos Rodrigues, por ter pago pelo assassinato de Anderson. Além deles, Rayane dos Santos Oliveira, neta biológica de Flordelis e filha de Simone, por ter procurado pessoas para assassinar o pastorReprodução TV Globo
Marcos Siqueira Costa e Andrea Santos Maia, que não têm parentesco com ninguém da família, mas que se envolveram no crime, foram condenados por uso de documento falso e associação criminosa armada Reprodução TV Globo
Em 2019, o assassinato do pastor Anderson do Carmo de Souza revelou a existência de um esquema criminoso dentro da estrutura familiar da ex-deputada federal Flordelis. À época, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) deflagrou uma operação que apontou ao menos 10 pessoas envolvidas na morte do religioso Igor Estrela/Metrópoles
Outras condenações
Em abril deste ano, o Tribunal do Júri condenou quatro pessoas pelo crime. Adriano dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis, recebeu a pena de quatro anos de prisão por uso de documento falso e associação criminosa armada.
O ex-policial militar Marcos Siqueira Costa ficará preso por cinco anos, e a esposa do militar, Andrea Santos por quatro anos. Eles são acusados de uso de documento falso e associação criminosa armada.
Além disso, Carlos Ubiraci Francisco da Silva, filho afetivo de Flordelis, foi condenado a dois anos por associação criminosa armada. Em abril, a Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu liberado condicional ao acusado.
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Absolvidos
André Oliveira e Marzy Teixeira da Silva, filhos afetivos de Flordelis, foram absolvidos. Rayane Oliveira, neta da ex-deputada, também acabaram absolvidos.
Fonte: Rebeca Borges l Metropoles


