A secretária-adjunta do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso, Lenice da Silva Barbosa, e o superintendente Jhonatan Vieira Santana viraram alvo de um boletim de ocorrência por ameaça e injúria após uma reunião com gestores do órgão. Entre as acusações estão ameaças de exoneração, abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e até frases sobre “cobrir a cara de porrada” e transformar servidor em “saco de boxe”.
O caso foi registrado na Polícia Civil na terça-feira (23), mas os fatos teriam ocorrido no dia 12 de agosto, durante uma reunião gerencial realizada de forma on-line. Segundo o BO, cerca de 40 gestores e líderes de plantão de diferentes polos do Sistema Socioeducativo participaram do encontro.
Conforme o relato da servidora que procurou a polícia, durante a reunião foram usadas expressões como “traíra”, “desonestidade” e “falta de honra”. Também teria sido dito que quem não estivesse satisfeito com a gestão deveria pedir para deixar o cargo.
A comunicante afirma ainda que os servidores foram alertados a ter “cuidado” com o que falavam da gestão. O boletim também relata ameaça de abertura de PAD contra quem não compactuasse com decisões tomadas pelos superiores.
As falas mais graves registradas no documento envolvem ameaças de agressão física. Segundo o BO, foram feitas referências a “cobrir a cara de porrada” e colocar servidor “no lugar de um saco de boxe”.
O registro também menciona uma fala atribuída a Lenice envolvendo Gisela Simona. Conforme a versão apresentada à polícia, a secretária-adjunta teria citado proximidade com Gisela e afirmado que “agora terá mais poder ainda”. A situação foi apontada pela comunicante no boletim como assédio eleitoral.
Segundo a servidora, o clima de tensão teria começado após conversas em um grupo de WhatsApp. Os integrantes discutiam a conduta de outro servidor que, conforme o relato, teria agredido a esposa e estava detido em uma unidade socioeducativa.
A suspeita é de que alguém tenha repassado à gestão prints das conversas mantidas no grupo, sem autorização dos demais participantes.
EXONERAÇÃO
Uma semana depois da reunião, em 19 de agosto, Jhonatan teria procurado pessoalmente a servidora que posteriormente registrou o BO. De acordo com a narrativa, ele informou que as falas feitas durante a reunião eram direcionadas a ela e que a funcionária não permaneceria no cargo de chefe do Núcleo da Central de Vagas do Sistema Socioeducativo.
A exoneração foi publicada em 15 de setembro. A servidora afirma, porém, que o ato registrou sua saída como sendo “a pedido”, apesar de ela dizer nunca ter solicitado formalmente a exoneração.
No boletim, ela classifica a medida como uma retaliação. O documento registra que o ato teria efeitos a partir de “1º de setembro de 2022”. O BO não esclarece se a referência a 2022 é um erro na data.
Na ocorrência, a Polícia Civil registrou ameaça e injúria como naturezas vinculadas a Lenice e Jhonatan. Entre as motivações informadas no documento aparecem vingança, ambição e homofobia.
O caso foi encaminhado à 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá, responsável pela repressão a crimes de menor potencial ofensivo. As acusações constam do relato apresentado pela servidora no boletim e ainda dependem de apuração policial.


