A demonstração ocorreu durante a , em Pequim, e colocou o projeto chinês em uma posição de destaque na
corrida por veículos quadrúpedes capazes de transportar pessoas.O contraste com o Japão chama atenção. A Kawasaki apresentou o Corleo como um conceito de mobilidade movido a hidrogênio, com velocidade potencial de até 100 km/h, mas a própria empresa aponta a década de 2030 como horizonte para esse tipo de tecnologia.
Já o Qiji deixou a fase dos desenhos e protótipos estáticos para ser apresentado em funcionamento.
China transforma conceito em veículo real
Criado pela DaxAI Robotics, startup fundada em 2025, o Qiji tem aparência que mistura motocicleta e animal mecânico. O condutor fica sentado sobre uma espécie de sela e controla o veículo por meio de um guidão.
A diferença está justamente na forma de locomoção. Em vez de rodas convencionais, o modelo utiliza quatro pernas articuladas, movimentadas por motores elétricos.
Segundo a fabricante, o conjunto pode gerar até 1.400 Nm de torque. O veículo pesa aproximadamente 320 kg e foi projetado para transportar até 300 kg de carga.
A primeira versão, chamada Qiji X1, tem velocidade máxima de 10 km/h. O modelo mais avançado, porém, é o Qiji XS.
Versão mais rápida usa rodas escondidas
O Qiji XS combina as quatro pernas mecânicas com pequenas rodas retráteis instaladas nas extremidades.
É justamente essa configuração que permite ao robô alcançar os 40 km/h.
Ainda assim, o número fica abaixo dos 100 km/h projetados pela Kawasaki para o Corleo. A vantagem chinesa, neste momento, está em outro ponto: o Qiji já foi demonstrado em movimento e tem previsão de produção em série ainda em 2026.
Robô pode chegar a 100 km de autonomia
O Qiji XS utiliza propulsão totalmente elétrica e, de acordo com as informações divulgadas pela DaxAI Robotics, pode alcançar até 100 quilômetros de autonomia.
O sistema trabalha com tensão de 165 volts. A empresa, entretanto, ainda não revelou detalhes sobre a capacidade da bateria ou quanto tempo será necessário para realizar uma recarga completa.
China mira produção já em 2026
A DaxAI pretende iniciar a produção em série e realizar as primeiras entregas ainda neste ano.
O Qiji X1 deve partir de aproximadamente 289 mil yuans, valor equivalente a pouco menos de 37 mil euros. Já o Qiji XS, equipado com as rodas retráteis e capaz de chegar a 40 km/h, deve custar perto de 50 mil euros.
Dessa forma, a China tenta transformar em produto comercial uma tecnologia que o Japão ainda apresenta principalmente como uma visão de futuro.
Por que criar um veículo com quatro patas?
Apesar da aparência incomum, a tecnologia pode ter aplicações práticas. As pernas permitem que o veículo atravesse terrenos irregulares, obstáculos e áreas onde carros e motocicletas convencionais encontram dificuldades.
Por isso, além do uso recreativo e fora de estrada, veículos desse tipo podem ser utilizados em operações de resgate, áreas atingidas por desastres, inspeções, transporte e trabalhos em locais de difícil acesso.
O mais curioso da disputa é que, embora o Corleo japonês tenha números mais impressionantes no papel, com velocidade projetada de até 100 km/h, o Qiji chinês foi mais longe na prática: já foi apresentado funcionando, tem preços estimados e pode começar a ser entregue antes do fim de 2026.
Na corrida pelos veículos quadrúpedes do futuro, a China pode ter chegado antes do Japão.


