Quinta-feira, 1 de outubro de 2026

China deve importar mais soja do Brasil, mas ação pode acender alerta para mais sanções de Trump

Perda do mercado chinês para o Brasil poderia levar a mais uma investida negativa do presidente americano

China deve importar mais soja do Brasil, mas ação pode acender alerta para mais sanções de Trump
Foto: Arquivo Colíder News
O Brasil pode ter a oportunidade de expandir ainda mais as exportações de soja para a China, diante de uma tensão entre o país asiático e os Estados Unidos. Analistas enxergam o movimento como positivo para o Brasil, que deve fortalecer a parceria. Mas, ao mesmo tempo, isso pode trazer mais uma tensão entre Brasil e EUA. 

“A decisão da China de priorizar a soja brasileira deve aumentar as exportações para lá, sim, principalmente no segundo semestre, quando os EUA costumam liderar as vendas. Isso fortalece a posição do Brasil como principal fornecedor e traz ganhos imediatos para o agro”, comenta o analista de comércio exterior Jackson Campos. “Mas ocupar um espaço tradicionalmente americano também acende um alerta em Washington, ainda mais em um contexto de disputas comerciais e políticas”, pontua.

No último domingo (10/8), dois dias antes da data em que a trégua tarifária entre Washington e Pequim acabaria, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu à China que quadruplicasse as importações de soja americana. "A China está preocupada com sua escassez de soja. Nossos grandes agricultores produzem a soja mais robusta. Espero que a China rapidamente quadruplique seus pedidos de soja", disse em post na rede social Truth. No dia seguinte, a Casa Branca prorrogou a trégua, iniciada em abril, por mais 90 dias. Com isso, ficam suspensos até novembro os aumentos de 145% para as tarifas dos EUA sobre produtos chineses e de 125% para as tarifas da China sobre produtos americanos.

A tentativa é vista no mercado como uma ação “desesperada” do presidente dos Estados Unidos, que teme uma redução drástica nas exportações de soja. Enquanto isso, Brasil e China trabalham na criação de um protocolo bilateral para certificação e rastreabilidade de produtos agropecuários, com foco central na exportação de carne e soja para o país asiático.

Além disso, a China tem aumentado as importações de soja brasileira já há algum tempo. Só neste ano, de janeiro a julho de 2025, o Brasil exportou 77,2 milhões de toneladas da oleaginosa para o país asático - há cinco anos, o volume anual era de 35,3 milhões. Inclusive julho bateu recorde histórico para o mês, com 12,25 milhões de toneladas enviadas aos chineses, segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisado pelo Cepea.

Com o temor de perder o mercado chinês, o presidente norte-americano pode agir com novas sanções. “Trump já mostrou que não hesita em usar tarifas como forma de pressão e, se enxergar que essa perda de mercado para a China está ligada à competitividade brasileira, pode reagir. Ou seja, o avanço é positivo, mas precisa vir junto com cuidado diplomático para não virar motivo de novas barreiras”, pondera Jackson Campos.
Esta informação foi útil?Compartilhe com seus contatos.
Auto Posto Pit Stop
Conexão especial Auto Posto Pit Stop Conhecer parceiro