O secretário de Fazenda, Administração e Urbanismo de Colíder, Ivaine Molina, de 50 anos, pediu exoneração do cargo após denunciar que o pai do prefeito Hemerson Máximo o ameaçou.
Edson Máximo, pai do prefeito, teria ameaçado o filho de Ivaine, o advogado Ivaine Molina Júnior, por prestar assessoria eleitoral à candidatura de oposição nestas eleições.
A ameaça teria ocorrido no dia 2 de agosto, o boletim de ocorrência foi registrado no sábado (3), e o pedido de exoneração feito no dia 5. Edson negou ter praticado o crime.
Entrevistado pelo MidiaNews, Ivaine disse ter medo de que o pior possa acontecer: “Nós tememos, sim. Ele veio na minha casa e fez ameaças de morte, ameaçou acabar com a vida do meu filho. Eu fiquei muito receoso e minha mulher entrou em choque. Tirou o nosso sossego”.
Ivaine conta que, após a ameaça, até mesmo a rotina mudou: “O meu filho tem medo, ele está trabalhando para o adversário e tem que sempre estar na rua. Agora liga na hora que sai, liga quando chega. Não fica sossegado”, disse.
O agora ex-secretário se mudou para Colíder há pouco mais de três anos e meio, a convite da família Máximo para assumir o cargo. Antes disso, foi secretário de administração em Matupá.
Ivaine Júnior também estava à frente de uma pasta na Prefeitura, a de Assuntos Fundiários e Meio Ambiente, e saiu em junho deste ano para prestar assessoria em diversas campanhas.
Ivaine e a família já prestaram depoimento sobre o caso e representaram criminalmente contra Edson, que também já foi ouvido pela Polícia.
A ameaça
A Prefeitura da cidade parou de funcionar mais cedo no dia em que tudo aconteceu, por falta de internet. “Como já não tinha mais atendimento ao público e não tinha como mais trabalhar, eu dispensei o pessoal. Às 15h30 fui embora pra casa”.
Enquanto Ivaine e a esposa aproveitavam a tarde de sol na piscina, Edson teria chegado à porta de sua casa. Ele foi recebido na residência e, logo em seguida, teriam começado as ameaças.
“Sentei na cabeceira da piscina com ele e ele falou: ‘Somos conhecidos há muito tempo, mais de trinta anos, queria conversar de pai pra pai com você’. Eu achei estranho”.
“Primeiro ele falou que foi o principal responsável por me buscar em Matupá e por isso eu estava aqui. Eu falei que agradecia muito por Maninho ter me trazido, que agradecia pelo trabalho”.
Edson, segundo Ivaine, teria seguido, alegando que, justamente por isso, todos deveriam ficar juntos. “Ele disse: ‘Fiquei sabendo na rua que o teu filho vai cassar o Maninho e vai prender ele’. Eu falei: ‘Isso aí é mentira! Trabalhamos mais de 3 anos com o seu filho, sempre fomos muito fiéis, mas agora o meu filho tem outros patrões’, disse.
“Meu filho saiu para fazer campanha, pegou outras e pegou também do adversário. Não saiu pra isso, mas também pegou. Ele é profissional e eu não posso e não vou dar palpite no serviço dele”, afirmou.
Segundo Ivaine, os boatos não passam de “conversa”, porque seu filho, em 2020, conseguiu que a Justiça cassasse a candidatura de dois candidatos a prefeitos das cidades de Matupá e de Guarita, além de alguns vereadores, tudo por crimes eleitorais.
“Essa conversa de ser preso não existe, ninguém vai preso por crime eleitoral. Só vai ser cassada a candidatura. E falei: ‘Se o seu filho fizer alguma coisa durante o período eleitoral, ele vai ser cassado’. Com certeza, porque o meu filho é bom”, disse.
Foi nesse contexto que Edson Máximo teria ameaçado a família. “Ele disse: ‘Por isso mesmo, se ele não puder ser candidato à reeleição, vai ter B.O., vai acabar com a vida dele. E se acabar com a vida dele, vou acabar com a vida do teu filho’”.
Questionado, Máximo teria dito, segundo Ivaine, que “nunca mais nossas famílias vão ter sossego”.
“Meu filho cassou o direito político de dois candidatos na região e isso se espalha na cidade. Ele tem muito medo de ser cassado, porque meu filho é especialista na parte eleitoral. Então eles estão com muito medo”, disse.
A discussão seguiu até que, em determinado momento, Edson teria tentado mudar de assunto e desconversar as supostas ameaças.
Em depoimento, Ivaine Júnior contou que chegou em casa depois das supostas ameaças e que foi informado pela mãe sobre o que estava acontecendo.
“Nesse momento ele já tentou se retratar, disse que foi mal interpretado e que não era isso que ele queria dizer, que ele teria até se confundido”, afirmou Ivaine Júnior.
“Ele teria ido no sentido de intimidar meus pais para poder afetar o meu serviço como advogado eleitoral por estar já vinculado a uma pré-campanha contrária ao filho dele”, completou.
Ivaine Júnior conta que o partido para o qual agora atua entrou com uma representação por abuso de poder político contra a atual gestão. “Já foi sentenciada e reconhecida a procedência e aplicada a multa. Acredito que até esse processo possa ter influenciado na ida dele até lá”, disse.
Negou tudo
Em depoimento, ao qual o MidiaNews teve acesso, Edson Máximo negou ter ameaçado a família e disse serem amigos de longa data.
“Não foi isso, fui lá para conversar com um amigo. Eu fui lá para pegar uma informação devido a conhecer a família. Fui falar com o pai dele, fazer uma pergunta sobre por que o filho dele foi mandado embora”, disse Edson.
Ele alegou ter sido bem recebido, mas que, em dado momento, os ânimos teriam se exaltado. “Eu falei: Gente, para com isso, vamos mudar de assunto. Eu quero a paz. Eu não sei até que limite estaria a ansiedade deles”, afirmou.
“Eu tenho uma consideração por eles, nunca vou pensar em destruir a família de ninguém. Eu só fiquei escutando. [...] Tenho certeza de que ninguém vai matar ninguém, porque nós somos família”, completou.
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Edson afirmou que não esperava que o caso fosse parar na delegacia e que, para ele, todos ainda são amigos. “Jamais eu achei que iriam registrar um B.O. Nem esperava, porque não teve nada grave. Não teve ameaça. Não teve nada disso não. [...] Se tiver um tempo, eu vou lá de novo, tomar uma cerveja, porque eu não tenho nada contra eles”, disse.


