Domingo, 4 de outubro de 2026

Concorrente se inspirava em Arcanjo e montou empresa na antiga sede da Colibri

Frederico Muller tinha “devoção” por João Arcanjo Ribeiro

Concorrente se inspirava em Arcanjo e montou empresa na antiga sede da Colibri
Rep. Folha MaxFoto: Arquivo Colíder News

O empresário do “Jogo do Bicho”, Frederico Muller Coutinho, instalou suas empresas no mesmo prédio utilizado pela Colibri – organização de seu adversário, e ídolo, João Arcanjo Ribeiro. A informação consta da denúncia proposta pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) contra 19 pessoas que fariam parte de uma organização criminosa especializada no “Jogo do Bicho”, em Mato Grosso.

De acordo com investigações da Polícia Judiciária Civil (PJC), dois grupos atuavam no Estado: um deles era liderado por Coutinho, e utilizava a marca “ELLO/FMC”. A outra organização era liderada por João Arcanjo Ribeiro, da grife de “Jogo do Bicho” conhecida como “Colibri”.

“Frederico montou a sede de suas empresas, que trazem a sigla FMC, no prédio onde funcionava a sede o Jogo do Bicho Colibri, do concorrente João Arcanjo Ribeiro, visando apropriar-se da popularidade que aquele já usufruía no Estado inteiro. Em meio às atividades empresariais regulares, inseriu a atividade ilícita do Jogo do Bicho, passando a utilizar a conta das empresas para ocultar o dinheiro ilícito obtido”, diz trecho da denúncia.

Ambos os grupos que atuavam no “Jogo do Bicho” em Mato Grosso foram dissolvidos durante a operação “Mantus”, da PJC, deflagrada no dia 29 de maio deste ano. As investigações apontavam que Coutinho se “espelhava” na figura de João Arcanjo Ribeiro uma vez que ele também obteve o título de comendador (assim como Arcanjo).

O delegado da PJC, e coordenador da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Flávio Stringuetta, já havia declarado durante uma entrevista que Coutinho queria “imitar” Arcanjo em tudo, “até em ser preso”.

CASA DE JOGOS

A denúncia do Gaeco também revelou um diálogo entre dois “funcionários” de Frederico Muller Coutinho - Glaison Roberto Almeida da Cruz e Dennis Rodrigues de Vasconcelos. Eles discutiam sobre uma suposta “oferta” de outro operador do “Jogo do Bicho” no município de Rondonópolis (216 KM de Cuiabá). Segundo as investigações, a ELLO/FMC atuava em todo o Estado.

Na conversa, os dois funcionários comentavam que “Dom”, como também é conhecido Frederico Muller Coutinho, não é “aberto a parcerias”, e que o suposto concorrente iria abrir uma “Casa de Jogos” na cidade caso o proprietário da ELLO/FMC não aceitasse firmar uma parceria com ele. O diálogo ocorreu em março de 2018.

“Em nova conversa, travada desta feita na data de 03/03/2018, comentam que ‘Dom’ não é ‘aberto a parcerias’ e Glaison diz o nome de ‘Dom’, no caso ‘Frederico’. Na ocasião Glaison diz a Dennis que um cara de Rondonópolis, que já teria ‘cinquenta máquinas compradas’ o procurou para firmar parceria, falando, inclusive, que se seu ‘patrão’ não fizesse um ‘bem bolado com eles’ iriam abrir uma casa, que já tinham ‘o lugar e tudo’ e que iria virar uma guerra, pois ‘Frederico’ não iria aceitar”, revela a denúncia.

OPERAÇÃO MANTUS

Na manhã do dia 29 de maio de 2019, a PJC deflagrou a operação “Mantus”, que prendeu o bicheiro João Arcanjo Ribeiro e outras 17 pessoas em Cuiabá. Em sua residência, os agentes de segurança encontraram R$ 200 mil em dinheiro vivo.

De acordo com as investigações, duas organizações criminosas – que utilizavam, inclusive, práticas de sequestro e tortura contra seus adversários -, atuavam no Jogo do Bicho em Mato Grosso. Uma delas era liderada por João Arcanjo Ribeiro. A outra, tinha como líder o empresário, e também “Comendador”, Frederico Muller Coutinho. Assim como seu concorrente, Coutinho foi preso pelos policiais do GCCO.

A PJC também informou que, apenas no período de 1 ano, as duas organizações movimentaram em contas bancárias cerca de R$ 20 milhões – excluindo os valores que circularam em dinheiro vivo.   

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