O comandante-geral da Polícia Militar em Mato Grosso, coronel Alexandre Mendes, revelou que diversos candidatos foram proibidos de entrar em determinados bairros de Cuiabá e Várzea Grande para realizar reuniões políticas durante as eleições. A discussão veio à tona após o prefeito eleito, Abílio Brunini (PL), afirmar que supostos membros do Comando Vermelho estariam participando das articulações da Mesa Diretora do Legislativo da Capital, através de vereadores eleitos.
Mendes disse que não conhece Abílio pessoalmente e não está a par da denúncia feita por ele, no entanto, afirmou que o fato precisa ser investigado: "Eu não conheço a denúncia do prefeito eleito Abilio Brunini, não o conheço, só o conheço através dos meio de comunicação, mas uma pessoa que vai representar o município de Cuiabá, que foi escolhido pelo povo cuiabano… É uma denúncia que tem que ser apurada, uma denúncia grave que envolve o parlamento municipal".
O comandante da PM ressaltou que o assunto precisa de atenção por que as facções criminosas estão avançando em várias áreas. "Agora, se tiver alguém [envolvido no suposto crime] tem que ser investigado, porque nós sabemos que o crime organizado, infelizmente, está entrando em várias frentes e acredito que no espaço municipal de Cuiabá tem que ser investigado a altura", afirmou Coronel Mendes.
A exemplo de como a facção criminosa vem se desenvolvendo e tentando chegar a áreas como a política, coronel Mendes revelou que a Polícia Militar recebeu denúncias durante as eleições.
"Nas eleições, nós tivemos problemas pontuais, sérios, onde candidatos tentaram fazer reuniões políticas em determinados bairros e esse candidato foi ameaçado para não entrar no bairro, em Cuiabá e Várzea Grande. Aquele candidato que buscou apoio da Polícia Militar, nós garantimos a segurança deste candidato. Mas isso foi fato", contou Mendes.
Segundo coronel Mendes, as intimidações aconteciam através das redes sociais. "Alguns bairros mandaram recado através de aplicativo de WhatsApp. Tiveram mensagens dizendo que o candidato não era bem-vindo porque aquela unidade já tinha fechado com determinado candidato", contou.
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Fala polêmica
Sem citar nomes, Abilio disse que existem grupos interessados em fazer oposição para que Paula Calil (PL), sua indicação para Mesa da Câmara de Cuiabá, não consiga chegar à presidência. Um desses grupos seria comandado pela facção.
Ainsa segundo ele, outro interesse dos grupos contrários é que sejam mantidos cargos comissionados e contratos com a atual gestão da Prefeitura de Cuiabá. Porém, já anunciou que se o grupo ganhar a eleição da Mesa, fará a rescisão de todos estes.
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), afirmou que as acusações feitas por Abilio são graves e solicitou que a polícia do Estado investigue o caso.


