Domingo, 1 de novembro de 2026

Correios anunciam grande reestruturação financeira com empréstimo bilionário

O empréstimo deve viabilizar o plano de reestruturação financeira da empresa, elaborado para o período entre 2025 e 2027

Correios anunciam grande reestruturação financeira com empréstimo bilionário

Ministério da Fazenda autorizou a concessão de garantia da União, por meio do Tesouro Nacional, a um novo empréstimo de R$ 7 bilhões solicitado pelos Correios para financiar o plano de reestruturação financeira da companhia.

O plano corresponde ao período de 2025 a 2027 e foi elaborado para recompor o caixa da estatal. A operação de crédito foi negociada com quatro bancos privados: Banco ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan.

O financiamento tem prazo de 15 anos, com três anos de carência antes do início dos pagamentos pela empresa. A garantia concedida pelo Tesouro significa que, caso os Correios não consigam honrar a dívida, a União poderá ser acionada para responder aos credores.

A previsão é de que R$ 5 bilhões sejam disponibilizados na assinatura do contrato e os R$ 2 bilhões restantes sejam liberados até dezembro. A taxa de juros informada para a operação é de 114,84% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), indicador de referência para operações financeiras.

O novo financiamento dá continuidade a uma operação de R$ 12 bilhões contratada pelos Correios em dezembro de 2025, também com garantia da União. Naquele momento, a estatal precisava de recursos para enfrentar dificuldades de liquidez, regularizar obrigações em atraso e manter o funcionamento de suas atividades.

O plano de reestruturação previa a captação de até R$ 20 bilhões em empréstimos. Com a contratação dos R$ 12 bilhões no fim de 2025 e a nova operação de R$ 7 bilhões, o volume chega a R$ 19 bilhões.

A recuperação sustentável depende de a estatal conseguir melhorar suas receitas, controlar despesas e gerar recursos suficientes para cumprir os compromissos assumidos.

Em 2025, a empresa encerrou o ano com um prejuízo líquido de cerca de R$ 8,5 bilhões, o quarto resultado anual negativo consecutivo desde 2021. O índice de liquidez corrente ficou em 0,55.

Além da captação de recursos, o programa de reestruturação dos Correios prevê medidas para diminuir os custos operacionais e monetizar os ativos da companhia. A meta é reduzir cerca de R$ 4,2 bilhões em despesas anuais, aumentar as receitas em R$ 1,7 bilhão e arrecadar R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis.

Entre as medidas previstas estão o Programa de Demissão Voluntária (PDV), a renegociação de contratos e passivos, mudanças no plano de saúde dos empregados e o fechamento de parte das agências.

Hoje, a estatal exerce uma função estratégica na infraestrutura logística brasileira.

Segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado em outubro, os Correios são a única empresa com capacidade de atender regiões pouco conectadas ou economicamente menos atrativas para empresas privadas.

A estatal também se encarrega da distribuição de livros didáticos e da entrega de provas de exames nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), operações que exigem milhares de pontos de distribuição, inclusive em localidades distantes dos principais centros urbanos.

A empresa alcança mais de 180 milhões de usuários por meio de seus canais digitais e mantém mais de 7,5 mil pontos de atendimento em praticamente todos os 5.570 municípios brasileiros, segundo dados do Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais. São mais de 1,5 milhão de entregas por dia.

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