Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Delegada: maior convivência fez explodir violência contra mulher

Houve um aumento de crimes como estupro, assédio e importunação sexual

Delegada: maior convivência fez explodir violência contra mulher
Foto: Arquivo Colíder News

A delegada Jozirlethe Criveletto, titular Delegacia da Mulher de Cuiabá, constatou um considerável aumento nos índices de violência contra as mulheres durante a pandemia da Covid-19.


 

Segundo ela, as medidas de isolamento social fizeram com que os agressores passassem mais tempo com suas vítimas, desencadeando um aumento de crimes como estupro, assédio, importunação sexual e até feminicídios.

 

“Nós já tínhamos a concepção de que esse ciclo poderia se agravar, pois os agressores passaram a ficar mais tempo com as vítimas. Com isso, esses crimes foram evoluindo, podendo ir de um crime de menor gravidade de pena até uma tentativa de homicídio”, disse.

 

De acordo com a delegada, o número de feminicídios quase triplicou em Cuiabá no período.

 

“De um ano para o outro, comparando com 2019 em Cuiabá, nós vínhamos em um ciclo em que não houve feminicídio. Então, a gente percebe a gravidade dessa estrutura de ter o agressor com a vítima em casa. A pandemia, infelizmente, gerou o aumento da violência contra a mulher nos lares”, afirmou.

Segundo Jorzilethe, os crimes mais comuns são ameaça e lesão corporal, porém houve aumento em outros delitos também.

 

“Durante esse ano de pandemia, tivemos um aumento nos índices dos registros dos crimes sexuais em relação a 2019, isso em Mato Grosso inteiro. O número de assédio, estupros e importunação sexual também aumentou. Todos esses crimes aparecem com números bem maiores este ano", disse.

 

Ela lembrou que neste período a Delegacia da Mulher criou um plantão 24 horas de atendimento às mulheres vítimas de violência.

 

“Hoje, a Delegacia da Mulher tem um plantão de 24 horas no Planalto, que aumentou e melhorou a estrutura e as condições para as vítimas. Se for ameaçada durante a noite, ou nos finais de semana, por exemplo, elas têm onde recorrer e serem atendidas em um ambiente bem mais agradável e acolhedor”.

 

A delegada apontou, ainda, que muitas mulheres vítimas de violência acabam não denunciando os agressores, principalmente por medo.

 

“Infelizmente, ainda há mulheres que não conseguem registrar um boletim de ocorrência por falta de acesso a políticas públicas e, na maioria das vezes, pelo medo do autor das agressões”, ressaltou.

 

Ela apontou outros motivos que desestimulam as vítimas a denunciarem os agressores.

 

“Pesquisas apontam causas como questões econômicas e culturais. Por exemplo: uma mulher deseja fazer uma denúncia para que o agressor seja retirado do lar. Porém, ela não tem um emprego fixo e vive em uma casa alugada, e para que ela possa trabalhar precisa deixar os filhos pequenos em creches e escolas. E, hoje, não temos creches e escolas funcionando, pois não está havendo aulas presenciais. Então, ela se vê sem saída”, afirmou.

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Jozirlethe reforçou a importância de se utilizar os canais corretos para se fazer uma denúncia.

 

“Não é ligando para a delegacia. Às vezes, a vítima liga para a recepção da delegacia, mas o canal de denuncia é o 190, 197 e 180. Nós pedimos que a vítima faça a denúncia detalhadamente. Se sente vergonha, ela poder mandar um e-mail para a delegacia (demulher@pjc.mt.gov.br)”, explicou.

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