O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Pablo Bonifácio Carneiro, respondeu a uma determinação judicial que ordenava que ele entregasse as provas relacionadas às investigações da Operação Sepulcro Caiado em até 20 dias. No ofício, enviado ao juízo da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, ele explicou que todo material foi enviado ao Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) e sequer atua mais na Delegacia Especializada de Estelionatos da capital, responsável pelas apurações iniciais.
Deflagrada pela Polícia Civil em 30 de julho de 2025, a Operação Sepulcro Caiado desmantelou um esquema de fraudes de R$ 21 milhões que drenava recursos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) por meio de alvarás judiciais falsificados e transferências suspeitas. O empresário João Gustavo Ricci Volpato, do ramo de factoring, foi apontado como líder da organização, que teria movimentado cifras milionárias incompatíveis com suas rendas declaradas.
Além do ‘líder’, seguem réus na ação penal os advogados Wagner Vasconcelos de Moraes, Melissa Franca Praeiro Vasconcelos de Moraes, Themis Lessa da Silva, Régis Poderoso de Souza, Rodrigo Moreira Marinho, João Miguel da Costa Neto, Denise Alonso e Mauro Ferreira Filho. A professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luiza Rios Ricci Volpato, e o filho dela, o pecuarista Augusto Frederico Ricci Volpato, irmão de Gustavo, foram inocentados ao longo do processo.
Após o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), a defesa do advogado Rodrigo Moreira Marinho, réu na ação penal relativa à operação, afirmou que não consegue acesso às provas do processo desde janeiro. Sem os documentos, os juristas explicaram que não podem apresentar resposta à acusação.
O caso então virou um” jogo de empurra” entre o MP-MT e a Polícia Judiciária Civil. A confusão começou quando a defesa de Marinho pediu acesso a todo o material reunido durante a investigação, vídeos, relatórios financeiros, dados extraídos de celulares apreendidos, quebras de sigilo bancário e fiscal.
O pedido foi acatado pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que determinou que a Polícia Civil, através do delegado Pablo Bonifácio Carneiro, entregasse as provas em até 20 dias. Em resposta, o delegado apontou que a investigação relacionada à Operação Sepulcro Caiado foi integralmente remetida ao Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), sem nenhuma reserva de atribuições à Delegacia Especializada de Estelionatos de Cuiabá.
Pablo Bonifácio Carneiro explicou ainda que foi removido da unidade, encontrando-se, desde então, lotado na Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), não possuindo mais acesso ou ingerência sobre a investigação. O delegado sugeriu, então, que a notificação seja enviada ao NACO, que atualmente conduz o caso.
“Assim, este subscritor não detém condições de prestar informações acerca do atual andamento do procedimento, tampouco sobre eventuais apreensões realizadas, extrações de dados, análises periciais ou quaisquer outras diligências investigativas posteriores à remessa dos autos, por se tratar de investigação atualmente submetida à presidência e condução do NACO. Diante disso, requer seja a presente informação considerada para fins de cumprimento da determinação judicial, sugerindo-se, caso Vossa Excelência entenda necessário, que as informações pretendidas sejam requisitadas diretamente ao NACO, órgão que atualmente detém a presidência da investigação”, diz a resposta.


