O acidente que resultou na morte do jovem casal Giovani Vinicius Curvo e Priscilla Furoni na última sexta-feira (24), no bairro CPA I, em Cuiabá, foi motivado por uma briga de trânsito que escalou para uma perseguição. A informação foi confirmada pelo delegado Christian Alessandro, da Polícia Civil, em coletiva de imprensa nesta terça-feira (28).
O delegado relatou que o desentendimento começou quando o motorista de um Chevrolet Prisma teria fechado o Renault Sandero, onde estava o casal, em uma via preferencial.
O vídeo abaixo mostra momentos antes do acidente, quando o carro com as vítimas passa rapidamente e é seguido por outro veículo em alta velocidade.
O motorista do Sandero reagiu à fechada buzinando insistentemente. O condutor do Prisma então abriu o vidro e fez um gesto obsceno. "A partir daí os fatos saíram do controle”, relatou o delegado Christian Alessandro.
O Sandero ultrapassou o Prisma e realizou uma manobra perigosa, fechando o primeiro veículo e provocando a primeira colisão entre os carros.
O condutor do Prisma iniciou uma perseguição, alegando que queria apenas identificar o motorista do Sandero para cobrar um prejuízo estimado em cerca de R$ 500 na lataria.
Durante a fuga, a esposa do motorista do Prisma chegou a descer do carro para tentar intervir na briga, mas foi deixada para trás enquanto a perseguição continuava.
Omissão de socorro
A perseguição terminou tragicamente na Avenida Joinville. Em alta velocidade e na contramão durante a fuga, o Sandero furou a preferencial e foi atingido em cheio por uma Mercedes que trafegava na via. O impacto fez o Sandero capotar e colidir violentamente contra um poste de energia, matando Giovani e Priscilla na hora.
O delegado classificou o desfecho como uma fatalidade, mas responsabilizou ambos os lados:
“As circunstâncias mostram que o Sandero trafegava em alta velocidade e desrespeitou a sinalização. Mas o comportamento dos ocupantes do Prisma também foi reprovável,” disse o delegado.
O motorista do Prisma e seu filho, que o acompanhava, serão responsabilizados pelo crime de omissão de socorro, pois não pararam para acionar ajuda após testemunharem o capotamento do Sandero. "Eles viram o veículo capotado, mas seguiram viagem sem acionar socorro,” completou Christian.
Quem eram as vítimas
Giovani Vinicius Curvo, engenheiro civil, e Priscilla Furoni, engenheira de alimentos, eram ligados ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), onde Giovani estudou e Priscilla cursava mestrado.
O cão de estimação do casal também estava no carro, mas sobreviveu após ser resgatado das ferragens.
Giovani Vinicius Curvo, de 33 anos, e Priscila Furoni
Giovani Vinicius Curvo, de 33 anos, e Priscila Furoni morreram na hora
Priscilla era uma sobrevivente de câncer. Em uma publicação feita em fevereiro, em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Câncer, ela escreveu: “Eu tive câncer, mas o câncer não me teve.”
VEJA O VÍDEO DA ENTREVISTA DO DELEGADO:


