O delegado Flávio Stringueta, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou que as investigações relativas a Operação Mantus apontaram para lideranças acima do empresário Frederico Müller Coutinho.
Müller é apontado nas investigações como o chefe da organização criminosa FMC Ello, que atuava no jogo do bicho em Mato Grosso. A empresa é apontada como a concorrente da Colibri, supostamente comandada pelo bicheiro João Arcanjo Ribeiro e o genro dele, Giovanni Zem Rodrigues.
Conforme Stringueta, foi levantada a possibilidade de que Frederico Müller atuava no jogo do bicho em Mato Grosso por ordens de outra pessoa - que estaria baseada em Goiás ou no Rio de Janeiro.
“Tenho convicção disso. A linha de investigação acredita que ele trabalhava para alguém. Seria um outro bicheiro, de fora. Seriam pessoas de Goiás ou Rio de Janeiro”, disse o delegado.
Durante interrogatório realizado na GCCO, Müller preferiu permanecer em silêncio, mas o delegado afirmou que, para o empresário, seria vantajoso colaborar com a Justiça.
“Se ele confessar e fizer uma colaboração para [entregar pessoas de] cima - porque para baixo não serve para nada - e ajudar a pegar pessoas maiores do que ele, pode até responder a todo o processo em liberdade e nem ser apenado no final”, disse Stringueta.
No dia 7 deste mês, a Polícia Civil concluiu o inquérito da Operação Mantus.
Na ocasião, Arcanjo, Müller, Giovanni Zem e outros 30 foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, extorsão, extorsão mediante sequestro, lavagem de dinheiro e contravenção penal do jogo do bicho.
Arcanjo e outra organização
O delegado ainda disse que as investigações apontam que a organização supostamente comadada por Arcanjo e Giovanni Zem teria ligação com outro comando, este do Rio de Janeiro.
“No caso do Arcanjo, acreditamos que há um elo dele com um bicheiro do Rio de Janeiro”, afirmou.
“Os sorteios do jogo do bicho não eram feitos aqui, e sim no Rio de Janeiro e em Goiás. Por quê? Eles [Arcanjo e Müller] têm alguma relação próxima ao Rio de Janeiro e Goiás, que é quem passa o resultado a eles”, disse o delegado.
Operação Mantus
Segundo a Polícia Civil, os grupos comandados por Müller e Arcanjo disputavam "acirradamente" o espaço do jogo do bicho no Estado.
De acordo com o delegado Luiz Henrique Damasceno, a investigação começou em agosto de 2017, quando a Polícia Civil recebeu uma denúncia de um colaborador - que não quis se identificar - sobre a permanência e continuidade do jogo do bicho em Cuiabá.
No total, a operação cumpriu 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar.
De acordo com as investigações, em pouco mais de um ano, os dois grupos criminosos - que disputavam território em Mato Grosso - movimentaram mais de R$ 20 milhões em contas bancárias.
De acordo com as investigações, em pouco mais de um ano, os dois grupos criminosos - que disputavam território em Mato Grosso - movimentaram mais de R$ 20 milhões em contas bancárias.
As ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais cinco cidades do interior do Estado.
Arcanjo foi preso na sua residência, na Capital, assim como Frederico. Já Giovanni foi preso no Aeroporto de Guarulhos (SP), com o apoio da Polícia Federal.
Leia mais sobre o assunto:
Polícia indicia Müller, Arcanjo, genro e mais 30 por jogo do bicho
À polícia, Arcanjo nega liderar jogo do bicho em Mato Grosso
Rival de Arcanjo é interrogado pela Defaz, mas fica em silêncio


