O delegado de polícia Gustavo Colognesi Belão, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou na manhã desta sexta-feira (22) que apenas os líderes da facção criminosa investigada em Cuiabá e Várzea Grande viviam em condições de luxo, enquanto os demais membros chamados de “operários” — seguiam em situação de miséria.
A declaração foi dada após os desdobramentos da Operação Ludus Sordidus, que desmantelou um esquema ligado a jogos de azar, estelionato, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pela GCCO em parceria com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
“Vimos que ele estava em um patamar alto financeiramente. Temos os faccionados operários, que trabalham para o crime organizado, mas quem realmente lucra é quem está no topo da pirâmide. Isso ficou claro nesta operação: carros de luxo apreendidos, casas de alto valor, enquanto os operários continuam na pobreza”, declarou o delegado Belão.
O principal alvo da operação foi Sebastião Lauze, conhecido como “Dono da Quebrada” e proprietário do SN Futebol Clube, apontado como o líder do esquema criminoso. Ele teve bens bloqueados e foi alvo de mandado de prisão, mas atualmente responde em prisão domiciliar por determinação judicial devido a problemas de saúde.
Entre os bens apreendidos pela polícia estão:
Carros de alto padrão: Corolla Cross, Volkswagen T-Cross, Toyota SW4 e HB20
Pelo menos sete imóveis, localizados em bairros de Cuiabá como o Osmar Cabral
Valores em contas bancárias e ativos que somam mais de R$ 13,3 milhões
Ao todo, a operação cumpriu 38 ordens judiciais, sendo:
10 mandados de prisão preventiva
8 mandados de busca e apreensão
8 sequestros de imóveis
12 bloqueios de contas e valores
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá. As investigações continuam e, segundo a polícia, novos envolvidos poderão ser identificados nos próximos dias.
A operação evidenciou uma estrutura hierárquica típica de organizações criminosas, onde a maior parte da mão de obra recebe pouco ou nenhum benefício, enquanto a elite do grupo acumula patrimônio e ostenta uma vida de alto padrão às custas do crime.


