Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Delegado revela que facção mantinha 'operários' na miséria enquanto líderes viviam no luxo

Grupo criminoso atuava com jogos de azar, estelionato e lavagem de dinheiro; líder foi preso, mas está em prisão domiciliar por questões de saúde

Delegado revela que facção mantinha 'operários' na miséria enquanto líderes viviam no luxo
Foto: Arquivo Colíder News
O delegado de polícia Gustavo Colognesi Belão, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), afirmou na manhã desta sexta-feira (22) que apenas os líderes da facção criminosa investigada em Cuiabá e Várzea Grande viviam em condições de luxo, enquanto os demais membros chamados de “operários” — seguiam em situação de miséria.



A declaração foi dada após os desdobramentos da Operação Ludus Sordidus, que desmantelou um esquema ligado a jogos de azar, estelionato, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação foi coordenada pela GCCO em parceria com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).



“Vimos que ele estava em um patamar alto financeiramente. Temos os faccionados operários, que trabalham para o crime organizado, mas quem realmente lucra é quem está no topo da pirâmide. Isso ficou claro nesta operação: carros de luxo apreendidos, casas de alto valor, enquanto os operários continuam na pobreza”, declarou o delegado Belão.



O principal alvo da operação foi Sebastião Lauze, conhecido como “Dono da Quebrada” e proprietário do SN Futebol Clube, apontado como o líder do esquema criminoso. Ele teve bens bloqueados e foi alvo de mandado de prisão, mas atualmente responde em prisão domiciliar por determinação judicial devido a problemas de saúde.



Entre os bens apreendidos pela polícia estão:

Carros de alto padrão: Corolla Cross, Volkswagen T-Cross, Toyota SW4 e HB20

Pelo menos sete imóveis, localizados em bairros de Cuiabá como o Osmar Cabral

Valores em contas bancárias e ativos que somam mais de R$ 13,3 milhões

Ao todo, a operação cumpriu 38 ordens judiciais, sendo:

10 mandados de prisão preventiva

8 mandados de busca e apreensão

8 sequestros de imóveis

12 bloqueios de contas e valores



As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá. As investigações continuam e, segundo a polícia, novos envolvidos poderão ser identificados nos próximos dias.



A operação evidenciou uma estrutura hierárquica típica de organizações criminosas, onde a maior parte da mão de obra recebe pouco ou nenhum benefício, enquanto a elite do grupo acumula patrimônio e ostenta uma vida de alto padrão às custas do crime.
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