Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Desembargador afasta por 180 dias diretor da penitenciária de Sinop após denúncia de tortura

Afastamento ocorre após relatórios apontarem plano da diretoria para atacar magistrado com arma artesanal durante inspeção oficial

Desembargador afasta por 180 dias diretor da penitenciária de Sinop após denúncia de tortura
Foto: Arquivo Colíder News
O desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, determinou nesta sexta-feira (19) o afastamento imediato do diretor da Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, a "Ferrugem", em Sinop (a 478 km de Cuiabá), Adalberto Dias de Oliveira, do subdiretor Antônio Carlos Negreiros dos Santos e do policial penal Paulo César Araújo Costa. A decisão baseia-se em relatórios que apontam a prática de tortura sistêmica e um suposto plano para matar o juiz Marcos Faleiros e o promotor Luiz Gustavo de Maio.


Conforme o magistrado, imagens do sistema de monitoramento interno da unidade confirmaram agressões físicas e castigos degradantes, como a aplicação de spray de pimenta diretamente nos olhos de presos imobilizados e o uso de celas de isolamento térmico sem ventilação. A decisão também impõe o fim imediato do racionamento de água e estabelece prazo para que o Estado instale o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura.

"DEFIRO o afastamento cautelar, pelo prazo inicial de 180 (cento e oitenta) dias, prorrogável se necessário, dos seguintes policiais penais de qualquer contato direto ou indireto com as pessoas privadas de liberdade custodiadas na Penitenciária "Ferrugem": · ADALBERTO DIAS DE OLIVEIRA (Diretor da unidade); · ANTÔNIO CARLOS NEGREIROS DOS SANTOS (Subdiretor); · PAULO CÉSAR ARAÚJO COSTA. Os referidos servidores deverão ser imediatamente afastados de suas funções, sem prejuízo da remuneração", diz trecho da decisão que o  teve acesso.

Relembre

A inspeção que resultou no afastamento da diretoria ocorreu após denúncias de que servidores teriam planejado um ataque contra o juiz Marcos Faleiros da Silva e o promotor Luiz Gustavo Mendes de Maio. Segundo o relatório do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF), um detento relatou ter sido instruído pela direção a atacar as autoridades com uma arma artesanal para deslegitimar as investigações de maus-tratos.

O documento aponta que o preso entrou na sala de audiência com algemas soltas e que, na sequência, o veículo oficial do Judiciário foi perseguido por uma caminhonete na rodovia MT-010.

À época, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) emitiu nota afirmando que instaurou procedimento administrativo para examinar os fatos e alegou que não houve denúncia formal de tortura na unidade durante o ano de 2025, ressaltando que não coaduna com abusos.

Procurada novamente sobre a nova decisão de afastamento, a Sejus ainda não se pronunciou.
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