Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Desmonte do Samu pode prejudicar qualidade e segurança, diz CRM

Para o órgão, esse tipo de ação é atividade essencialmente assistencial, integrante do SUS, e deve permanecer sob coordenação médica

Desmonte do Samu pode prejudicar qualidade e segurança, diz CRM
Foto: Arquivo Colíder News
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) manifestou, por meio da assessoria, sua preocupação com as recentes mudanças no modelo de atendimento pré-hospitalar no Estado.

No caso, o órgão destaca a integração do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) com o Corpo de Bombeiros Militar (CBM).

O CRM-MT disse reconhecer a importância da atuação dos bombeiros no atendimento de urgência e emergência, bem como iniciativas que busquem ampliar a cobertura e reduzir o tempo de resposta.

Mas, ressaltou que o atendimento pré-hospitalar é uma atividade essencialmente assistencial, integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), e deve permanecer sob coordenação médica.

"A substituição ou redução de equipes multiprofissionais do Samu, ainda que gradual, levanta preocupações quanto à manutenção da qualidade assistencial, à segurança do paciente e à preservação da regulação médica, elemento central para a adequada tomada de decisão clínica", disse o conselho.

O órgão destacou ainda que ganhos operacionais não podem ocorrer em detrimento da qualidade do cuidado.

E reforçou a necessidade de que qualquer reestruturação seja acompanhada de estudos técnicos transparentes, com avaliação de desfechos clínicos e garantia da participação de profissionais médicos na formulação e execução das políticas públicas.

O CRM-MT afirmou que seguirá acompanhando o tema e adotará as medidas necessárias para "assegurar o pleno exercício da medicina e a proteção da saúde da população mato-grossense".

FISCALIZAÇÃO -  Conforme este DIÁRIO informou, após denúncias de desmonte na rede de atendimento pré-hospitalar em Mato Grosso, equipe do Ministério da Saúde realizou, na semana passada, uma vistoria no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), em Cuiabá, para verificar a situação estrutural do Samu.

No Ciosp, os representantes do ministério avaliaram as condições de funcionamento do serviço, incluindo equipes, frota de veículos e estrutura operacional.

A fiscalização, realizada na tarde de quinta-feira (23) e na sexta-feira (24) pela manhã nas demais unidades do serviço, resultará na elaboração de um relatório técnico para apurar as denúncias apresentadas por entidades sindicais e verificar possíveis irregularidades na condução do serviço no Estado.

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa realiza, nesta terça-feira (28), a partir das 8h, reunião com equipe do Ministério da Saúde responsável pelo Samu, para buscar soluções para evitar que o Governo de Mato Grosso feche o órgão em Cuiabá, Várzea Grande e região.

O diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência, Fernando Figueira, chegou a Cuiabá nesta segunda (27) e conduz as negociações com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) para manter o Samu funcionando de forma adequada.

O médico e deputado estadual Lúdio Cabral (PT) destacou a necessidade de restabelecer o atendimento, que ficou precarizado com a redução de pessoal.

“É preciso recontratar os 56 profissionais de saúde demitidos, fortalecer o Samu e estabelecer uma cooperação de verdade com o Corpo de Bombeiros. Está claro que o trabalho da atenção pré-hospitalar em Mato Grosso está desfalcado com a ausência desses profissionais especializados e qualificados em campo. Os bombeiros podem atuar de forma complementar, mas não substituir o Samu. O Samu é parte indivisível da política de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse.

Lúdio ainda lembrou que o Samu integra uma política nacional de saúde e recebe recursos federais, que custeia 50% do serviço.

“O Governo do Brasil está fortalecendo o Samu, e enviou 10 ambulâncias novas para Cuiabá e Várzea Grande recentemente. O governo estadual vai abrir mão desses recursos e das ambulâncias, e deixar a população sem assistência? Desmontar uma política pública de saúde tão importante como o governo de Mato Grosso está fazendo prejudica muito a população, que fica sem atendimento de urgência e emergência”, afirmou.

CRIADOR - Nas redes sociais, o ex-ministro da Saúde, senador Humberto Costa (PT-PE), disse que não gostou da decisão do governador Otaviano Pivetta (Repubiicanos) de desmontar o Samu, em Mato Grosso.

Costa é um dos responsáveis pela criação e estruturação do órgão e criticou a medida, que contempla um termo de cooperação com Corpo de Bombeiros Militar.

O senador citou Pivetta como "aliado do clã Bolsonaro em Mato Grosso", que quer acabar com Samu, "o programa mais bem avaliado do país".
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