Em entrevista ao HNT TV, a delegada Jannira Laranjeira, que atua no Plantão 24h de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica e Sexual de Cuiabá, alertou que os crimes de feminicídio não acontecem apenas no ambiente doméstico. Qualificadora recente no ordenamento jurídico brasileiro, o feminicídio se configura quando uma mulher é assassinada em virtude da condição de ser mulher, como explicou a delegada.
“A pena é a mesma do crime qualificado por motivo torpe, por motivo fútil e o feminicídio ocorre em razão do sentimento de ódio, de menosprezo para com a mulher. Além disso, o feminicídio pode ser praticado por homens que são companheiros ou ex-companheiros, ex-namorados, ex-conviventes, ex-ficante contra essa mulher ou pode ser praticado também em outro contexto que não é o familiar, o ambiente doméstico”, comentou a delegada.
Um exemplo, segundo Jannira, é uma briga de trânsito em que o homem mata a mulher porque ela colidiu contra seu veículo. “Ele faz isso porque ela é mulher. A motivação não é propriamente o dano, é porque ela é mulher”, defendeu a delegada. Outro exemplo citado pela policial é no contexto de uso de drogas, onde as mulheres acabam assassinadas e exploradas sexualmente.
“Há esse controle. O homem tem esse conceito de que a mulher é um objeto sexual, tem que servir o homem sexualmente falando e aí, muitas vezes nesse conflito, ela morre”, complementou.
A maior parte das motivações, entretanto, estão vinculadas aos relacionamentos afetivos, conforme mencionou Jannira Laranjeira. São crimes oriundos do sentimento de controle, de ciúmes exacerbado ou de rompimentos recentes e traições.
“65% aproximadamente morreram em razão do controle excessivo desse homem e 35% aproximadamente morreram em razão da disputa da guarda das crianças, da criação das crianças e também em razão do consumo do álcool e da droga ou da partilha dos bens”, emendou.
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A entrevista completa você assiste a seguir:


