Um levantamento realizado pelo grupo de defesa de direitos Solidar Suisse e do China Labor Watch mostra que os responsáveis por fabricar brinquedos da Disney na China se encontram em condições extremamente precárias. Os dados, divulgados pelo The Guardian, mostram que os empregados não têm direito a benefícios, direitos trabalhista e recebem cerca de US$ 0,01 por boneco fabricado. A descoberta foi feita por uma repórter, que se infiltrou na fábrica durante algumas semanas e descobriu as condições precárias às quais são submetidos os funcionários.
Mais mulheres
A investigação aconteceu no início deste ano, e revelou que a maior parte dos trabalhadores é do sexo feminino e possui mais de 45 anos. São 8 mulheres a cada 10 trabalhadores. Em cargos de gerência, no entanto, são 9 homens a cada 10 empregados em posições de liderança.
“São pessoas sem estudo, bem comportadas, obedientes e que se preocupam mais com as crianças e a família. Elas são menos propensas a causar problemas e mais fáceis de gerenciar do que os homens”, conta a repórter.
“Havia muitas trabalhadoras na fábrica de brinquedos e algumas delas eram mais velhas. Então, quando trabalhavam, precisavam usar óculos de leitura. Eles trabalhavam com muito cuidado e rapidez, mas, em algumas ocasiões, o líder da linha de produção dizia que elas estavam trabalhando muito devagar e gritava com elas. Quando isso acontecia, elas não respondiam uma palavra e silenciosamente continuavam trabalhando”, diz.
Além do salário baixo, os trabalhadores, contratados por uma fábrica chamada Wah Tung, relatam que chegam a trabalhar 175 horas extras em um mês, quase cinco vezes o máximo permitido, com apenas um dia de folga durante esse período. Quem precisa se ausentar por mais de três dias – mesmo por motivos médicos – é multado pela empregadora ou até demitido.
Boneca custa US$ 35
Um dos principais itens fabricados pela empresa é a boneca Princess Ari & Sparkle Disney Ariel, vendida por cerca de US$ 35. Apesar de seu valor, apenas US$ 0,01 é repassado ao empregado responsável por sua produção.
“As crianças adoram os brinquedos da Disney, mas queremos que seus pais entendam que não há magia de Natal acontecendo aqui: esses brinquedos foram feitos com mão-de-obra barata por mulheres que trabalham ilegalmente longas horas por centavos. Para elas, é dia após dia de miséria. Elas não trabalham nessas fábricas até tarde da noite porque querem: eles fazem isso porque é a única maneira de ganhar dinheiro suficiente para viver” diz a infiltrada.
O outro lado
A Ethical Toy Program, programa que certificou a empresa como ética com seus empregados, disse que recebeu as denúncias e que está realizando sua própria investigação. “Nós trataremos de maneira rápida e eficaz de quaisquer problemas identificados que violem nossos padrões”, diz.


