A Embraer e a ANA Holdings, controladora da All Nippon Airways, finalizaram um novo acordo para a aquisição de oito aeronaves E190-E2. O negócio amplia para 23 o número de pedidos firmes do modelo feitos pelo grupo japonês e reforça uma parceria que pode ganhar importância nos próximos anos, especialmente para a renovação e expansão da aviação regional no Japão.
O novo contrato anunciado no dia 3 de setembro é uma ampliação do acordo anunciado anteriormente pela ANA Holdings, que havia confirmado a aquisição de 15 E190-E2. Além das 23 aeronaves agora contratadas, o grupo japonês ainda possui opções para outras cinco unidades, o que significa que a frota planejada do modelo poderá chegar a 28 aeronaves caso todas as opções sejam exercidas.
A decisão representa um importante avanço para a Embraer em um dos mercados mais exigentes do mundo. O Japão possui uma extensa rede de aeroportos regionais e uma grande quantidade de rotas domésticas nas quais a capacidade oferecida por aeronaves maiores nem sempre é necessária. Nesse cenário, o E190-E2 pode permitir à ANA aumentar a frequência dos voos e manter conexões regionais com uma capacidade mais adequada à demanda.
Os primeiros E190-E2 da ANA Holdings estão previstos para começar a ser entregues em 2028. As aeronaves adicionais incluídas no novo pedido deverão ser incorporadas à frota de forma gradual nos anos seguintes, permitindo que a companhia planeje a expansão da operação de acordo com a evolução da demanda no mercado doméstico japonês.
A escolha do E190-E2 também está relacionada às características de eficiência do jato brasileiro. A aeronave foi desenvolvida para oferecer menor consumo de combustível, menores custos operacionais e redução das emissões quando comparada a aeronaves de gerações anteriores. O modelo utiliza motores Pratt & Whitney GTF e conta com uma nova asa de grande eficiência aerodinâmica, características que contribuem para seu desempenho em rotas de curta e média distância.

Para a ANA, a incorporação do E190-E2 permitirá complementar a frota utilizada em sua malha doméstica. A aeronave está posicionada em uma faixa de capacidade que possibilita atender mercados que podem não ter demanda suficiente para aviões maiores, mas que ainda apresentam potencial para operações regulares e conexões com centros de maior movimento.
A relação entre a Embraer e o mercado japonês não é recente. Os E-Jets da fabricante brasileira começaram a operar no país em 2009 e, desde então, conquistaram espaço entre companhias aéreas japonesas. A experiência acumulada ao longo desse período também cria uma base operacional e de suporte importante para a introdução da nova geração E2.
O acordo com a ANA ocorre em um momento no qual a Embraer busca ampliar sua participação no mercado global de aeronaves comerciais de até 150 assentos. A fabricante brasileira tem defendido que esse segmento possui papel estratégico para as companhias aéreas, especialmente diante da necessidade de encontrar um equilíbrio entre frequência de voos, custos operacionais e capacidade.
O E190-E2 é atualmente um dos principais produtos da Embraer nesse segmento e foi projetado para atender justamente a operações nas quais eficiência e flexibilidade são fatores determinantes. Com uma capacidade que permite à companhia ajustar melhor a oferta à demanda, o modelo pode ser utilizado tanto em mercados regionais quanto em rotas domésticas de maior distância.
A ampliação do pedido pela ANA também representa uma importante vitrine para a Embraer na Ásia. A região reúne alguns dos mercados de aviação mais movimentados do planeta e possui uma grande quantidade de rotas que podem ser atendidas de maneira eficiente por jatos de menor capacidade. A presença crescente do E2 no Japão pode, portanto, contribuir para novas oportunidades comerciais para a fabricante brasileira em outros países asiáticos.
A entrada gradual das aeronaves a partir de 2028 permitirá à companhia avaliar o desempenho do novo jato em sua rede e, potencialmente, ampliar sua utilização em diferentes rotas domésticas.


