Quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Empresário recusa R$ 2,7 bilhões e entrega empresa aos funcionários que o ajudaram a salvá-la da falência

Eddie Smith Jr. rejeitou ofertas de quase US$ 500 milhões e criou uma estrutura para manter a fabricante de barcos sob controle de um fundo voltado aos funcionários e à comunidade.

Empresário recusa R$ 2,7 bilhões e entrega empresa aos funcionários que o ajudaram a salvá-la da falência
Foto: Arquivo Colíder News
Uma história empresarial nos Estados Unidos chamou atenção pela decisão de um empresário que optou por não vender sua companhia mesmo após receber propostas avaliadas em quase US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,7 bilhões.

Eddie Smith Jr., proprietário da fabricante de barcos Grady-White Boats, decidiu transferir o controle acionário da empresa para um fundo permanente. A estrutura foi criada para impedir que o negócio seja vendido no futuro e garantir que sua administração continue voltada aos funcionários, à comunidade e a projetos sociais.

A decisão ocorreu depois de décadas de trabalho e de uma trajetória marcada pela recuperação da empresa, que chegou a enfrentar uma grave crise financeira.

Empresa chegou perto da falência

Quando assumiu a Grady-White Boats, Eddie encontrou uma companhia em situação financeira difícil. Para tentar recuperar o negócio, passou a dedicar grande parte da vida à empresa, chegando a trabalhar entre 80 e 100 horas por semana.

Ao longo dos anos, a estratégia deu resultado. A companhia se recuperou e passou a registrar faturamento superior a US$ 100 milhões por ano, tornando-se uma das fabricantes de barcos de destaque nos Estados Unidos.

Foi durante esse processo que os funcionários tiveram participação na recuperação do negócio, algo que influenciou a decisão tomada pelo empresário décadas depois.

Por que ele recusou a venda

Eddie recebeu diferentes propostas para vender a empresa, incluindo ofertas próximas de US$ 500 milhões. No entanto, decidiu não aceitar.

Segundo ele, a experiência de amigos que venderam seus próprios negócios influenciou sua escolha. O empresário afirmou que viu empresas perderem características e valores construídos ao longo de décadas depois da mudança de controle.

“Todos ficaram decepcionados com o que aconteceu depois da venda. As empresas perderam a cultura que eles levaram décadas para construir. Eu não suportaria ver isso acontecer com a minha”, afirmou Eddie à revista Fortune.

Em vez de transformar a empresa em um negócio vendido ao maior interessado, ele optou por criar uma estrutura permanente de controle.

Empresa passa a ter uma nova missão

O controle acionário da Grady-White Boats foi transferido para um fundo permanente responsável por preservar princípios considerados importantes para a companhia, incluindo a participação nos lucros, a valorização dos funcionários e investimentos em educação.

Os lucros também deverão ser direcionados para projetos sociais, iniciativas comunitárias e ações de conservação ambiental.

A decisão está relacionada também à história pessoal do empresário. Filho de um homem que cresceu em situação de pobreza durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, Eddie foi o primeiro integrante da família a concluir uma faculdade.

Ele também enfrentou perdas pessoais importantes. A esposa e, posteriormente, um filho morreram em decorrência da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Segundo o relato apresentado sobre sua trajetória, essas experiências contribuíram para que ele passasse a enxergar a empresa também como uma forma de ajudar outras pessoas.

Ao explicar sua decisão, Eddie resumiu a escolha como uma oportunidade de contribuir com outras pessoas:

“Quem tem a sorte de estar em posição de ajudar os outros recebe um verdadeiro presente por poder fazer isso.”

Com a nova estrutura, a intenção é que a Grady-White Boats continue funcionando sem ficar sujeita a uma futura venda, mantendo parte dos resultados direcionada aos funcionários, à comunidade e a projetos de interesse social e ambiental.

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