A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) confirmou, nesta sexta-feira (24), a investigação de uma emergência de saúde pública relacionada aos casos de intoxicação por metanol em decorrência do consumo de whisky adulterado da marca Ballantines Finest. Entre 19 e 24 de outubro, o órgão estadual registrou sete notificações, sendo um caso confirmado laboratorialmente, quatro em investigação e dois descartados.
O caso confirmado ocorreu em Várzea Grande com um jovem de 24 anos, internado desde a semana passada. Ele tomou uísque e vodka com amigos na cidade e apresentou os sintomas em seguida.
O jovem recebeu a primeira dose do antídoto Fomepizol no último domingo (19) e a segunda dose na manhã de segunda-feira (20). O medicamento atua como inibidor da enzima álcool desidrogenase, impedindo que o metanol seja metabolizado pelo organismo e evitando complicações graves.
O paciente passou por avaliação oftalmológica, que identificou neurite óptica bilateral (inflamação do nervo óptico em ambos os olhos). A lesão ocular é considerada irreversível, ou seja, ele está cego, e é uma das complicações mais graves decorrentes da exposição.
Um segundo caso em Água Boa é tratado como suspeito. O empresário Igor Thomae Rodrigues, 27 anos, teve perda da visão após ingerir uísque com uma amiga, que não apresentou sintomas.
Após a denúncia de Igor, uma força-tarefa formada pela Polícia Civil e Vigilância Sanitária realizou, nesta terça-feira (21), uma operação de fiscalização em comércios de Água Boa e cidades vizinhas. O terceiro caso divulgado por FOLHAMAX é de uma jovem de 18 anos em Cuiabá.
De acordo com o secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo a paciente “não está correndo risco de morte neste momento, mas as informações ainda são preliminares”, declarou à imprensa.
De acordo com a Coordenadoria de Vigilância Sanitária (COVSAN/SUVSA/SES-MT), os casos estão conectados ao consumo de bebidas alcoólicas adquiridas no comércio de Água Boa. Há indícios de que o produto adulterado possa ter sido distribuído para outras localidades.
As investigações apontam que os pacientes apresentaram sintomas típicos de intoxicação exógena por metanol, como visão borrada, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos e tontura. Em situações graves, o consumo dessa substância pode causar cegueira, coma e até morte.
O Departamento de Defesa do Consumidor (Decon) e a Polícia Judiciária Civil (PJC) identificaram quatro lotes suspeitos do whisky Ballantine’s Finest, que estariam adulterados com metanol. Os lotes sob suspeita são: LKVV0636 (validade 14/02/2024), LKVV5373 (18/09/2024), LKVV0027 (07/01/2025) e LKVV1413 (25/03/2025).
A SES-MT classificou o episódio como uma emergência em investigação e determinou ações imediatas às vigilâncias sanitárias municipais, incluindo fiscalização em bares, distribuidoras, supermercados e eventos, bem como apreensão preventiva dos produtos dos lotes mencionados.


