Quinta-feira, 13 de agosto de 2026

EUA diz que domínio sobre as Américas 'nunca mais será questionado'

Vídeo publicado pelo Departamento de Estado cita doutrina Monroe e reforça "prioridade" dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental

EUA diz que domínio sobre as Américas 'nunca mais será questionado'
Foto: Arquivo Colíder News
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (11/8), um vídeo sobre a Doutrina Monroe — estratégia do país para “dominar” todo o continente americano —  e afirmou que a “dominância norte-americana” no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”.

Com mais de cinco minutos, o vídeo recupera a origem da Doutrina Monroe, apresentada pelo presidente James Monroe ao Congresso americano em 1823. Na época, a política estabelecia oposição à tentativa de potências europeias de recolonizar ou ampliar sua influência sobre países das Américas.

Ao recontar a trajetória da doutrina, o Departamento de Estado destaca episódios em que ela foi utilizada como justificativa para a atuação dos Estados Unidos no continente. Entre os exemplos citados estão a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e a política do governo Ronald Reagan contra grupos de esquerda apoiados pela União Soviética na América Latina.

Na parte dedicada ao atual governo, a publicação cita a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro durante a Operação Absolute Resolve, realizada em janeiro deste ano. A operação foi conduzida por forças americanas e resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A publicação ocorre em meio ao aumento das tensões de Washington com países da região e um dia após a China pedir para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Nova versão da Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe foi formulada em 1823, quando os Estados Unidos ainda eram uma potência em ascensão.
O princípio original estabelecia que os países europeus não deveriam promover novas colonizações ou intervenções políticas no continente americano.
Em 1904, o presidente Theodore Roosevelt apresentou o chamado Corolário Roosevelt, segundo o qual os Estados Unidos poderiam intervir nos países latino-americanos em determinadas situações consideradas ameaças à estabilidade regional.
A nova política de Trump recupera parte dessa lógica, mas a adapta às disputas geopolíticas atuais.
A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos afirma que Washington deve impedir que potências de fora do Hemisfério Ocidental estabeleçam presença ou controlem ativos considerados estratégicos na região.
Em junho, uma autoridade do Departamento de Estado afirmou ao Congresso que o governo Trump havia colocado o Hemisfério Ocidental novamente no centro da política externa americana e repetiu que a predominância dos Estados Unidos na região não seria questionada.
A estratégia também está associada ao combate ao tráfico de drogas, à imigração irregular e à atuação de organizações criminosas transnacionais.

Disputa com a China e tensão com o Brasil
A publicação do Departamento de Estado ocorre em um momento de crescente competição entre Washington e Pequim pela influência econômica e estratégica na América Latina.

A China pediu para participar das consultas iniciadas pelo Brasil na OMC contra as tarifas americanas. A iniciativa ocorre no âmbito da disputa comercial envolvendo as medidas adotadas pelo governo Trump contra produtos brasileiros.

O Brasil abriu formalmente o processo de consultas na OMC para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa etapa é o primeiro estágio do mecanismo de solução de controvérsias da organização e busca permitir que os países tentem chegar a um entendimento antes de uma eventual abertura de painel.

A atuação chinesa acrescenta uma dimensão geopolítica à disputa comercial. Pequim é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e, ao ingressar nas consultas, demonstra interesse direto nos efeitos das medidas americanas sobre o comércio internacional.

A relação entre Washington e Brasília também atravessa um período de tensão. O governo Trump tem adotado medidas comerciais e diplomáticas contra o Brasil, enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva critica o que considera uma tentativa de interferência dos Estados Unidos em assuntos internos brasileiros.
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