O ex-servidor público Domingos Sávio Alberto de Sant'Ana, de 60 anos, revelou que a organização criminosa alvo da Operação Renegados chegou a extorquir R$ 25 mil de uma só vez de um dos seus alvos.
A informação foi repassada ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em Cuiabá, na noite do dia 6 maio. O depoimento foi realizado por três delegados da Polícia Civil e acompanhado por dois promotores de Justiça e uma advogada.
Domingos Sávio é um dos alvos da Operação Renegados, deflagrada no dia 4 de maio pelo Gaeco e a Corregedoria da Polícia Judiciária Civil. O grupo é acusado de crimes como concussão, corrupção, peculato, roubo e tráfico.
Ele contou à equipe que integrava a organização criminosa alvo da ação, mas alegou que sua participação "era de menor importância", repassando informações de possíveis alvos ao grupo.
Esse foi o caso do empresário Roberto Teixeira Santos, que segundo informado por Domingos, foi condenado a 13 anos de prisão, Ele, no entanto, não expôs por quais crimes o empresário havia sido condenado. Dele, os policiais e ex-policiais conseguiram extorquir R$ 25 mil.
Abordagem
Domingos relatou à equipe do Gaeco que conhece Roberto há cerca de 40 anos e já teve negócios na área de garimpo e trabalhos de construção, mas após um desentendimento terminou a sociedade. A amizade, segundo ele, se manteve.
O ex-servidor contou que Roberto estava trabalhando com recuperação tributária de pessoas físicas e jurídicas. Ele disse que sabia que Roberto cometia alguns ilícitos como a utilização de documentos falsos em diversas ocasiões.
Roberto, de acordo com Domingos, se identificava para as pessoas como fiscal da Receita Federal.
Domingos então repassou essas informações aos supostos integrantes da quadrilha e agentes policiais, chamados por ele de “Ananias”, “Daniel” e “Borjão”, sob promessa de receber parte do valor extorquido. Segundo apurou a reportagem, Borjão trata-se do ex-policial civil Hairton Borges Júnior.
"O interrogado tomou conhecimento por Ananias de que Borjão e outros policiais tinham abordado Roberto Teixeira dos Santos, dizendo [que] tinham conseguido o montante de R$ 25.000.00 de Roberto através de extorsão, tendo Roberto posteriormente confirmado ao interrogado que dois policiais o abordaram na sua caminhonete [...] nas proximidades do Auto Posto Carajás, na Avenida Miguel Sutil", diz trecho do depoimento de Domingos.
Segundo Domingos, Roberto corroborou com o relatado pelos policiais, e contou que dois policiais o abordaram dizendo que ele possuía mandado de prisão em aberto e que se não repasse o montante, iriam dar cumprimento a ordem judicial.
"Posteriormente, Ananias confirmou que teriam conseguido o valor de R$ 25 mil de Roberto”, consta em depoimento.
Racha dos valores
Em posse do montante, Ananias então ficou responsável por passar R$ 5 mil a Domingos, segundo ele mesmo relatou.
“[...] Tendo sido repassado ao interrogando o valor de R$ 4 mil, sendo mil reais do cartão da Dona Pretinha, avó da esposa de Ananias, e o restante em espécie, valor pago por Ananias, sendo que mil reais foi pago na máquina de cartão de sua empresa 'Doni Assistencia Técnica e Locação de Equipamento', apreendida na busca e apreensão”, diz outro do depoimento.
Veja fac-símile de depoimento:

Renegados
O objetivo da operação era desarticular uma suposta organização criminosa composta, entre outros membros, por policiais civis e militares, além de informantes.
Foram emitidas 44 ordens judiciais, sendo 22 mandados de prisão preventiva. Até o momento, 17 investigados fora detidos e cinco continuam foragidos.
Os alvos são acusados pela prática de crimes graves como concussão, corrupção, peculato, roubo e tráfico.
Conforme a acusação do Gaeco e da Polícia Civil, o líder da quadrilha se utilizaria de técnicas de investigação com o uso de equipamentos da Polícia Civil para facilitar e encobrir as ações criminosas do grupo.
O fato de o líder ser chefe de operação de uma Delegacia da Capital facilitaria no momento de acobertar os crimes, segundo as investigações.
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A investigação conta com o apoio da Polícia Militar e do Ciopaer e é baseada em Procedimento de Investigação Criminal (PIC) instaurado no Gaeco e inquéritos instaurados pela Corregedoria Geral da Policial Civil.
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