Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Facção em Sinop teria ordenado execução de homem por venda de drogas sem autorização

Vítima de 29 anos foi sequestrada dentro de casa e encontrada morta, com sinais de tortura e marcas de tiros, em Sinop; suspeito preso teria apontado disputa pelo controle do tráfico como motivação

Facção em Sinop teria ordenado execução de homem por venda de drogas sem autorização

Um homem de 29 anos foi sequestrado, torturado e executado a tiros em Sinop (500 km ao norte de Cuiabá), em um crime que, segundo informações preliminares da polícia, estaria relacionado à atuação de uma facção criminosa no controle do comércio de drogas na região. A vítima, identificada como Victor Santos do Carmo, foi encontrada morta na segunda-feira (12), com as mãos amarradas e diversas perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.

Um suspeito de 32 anos foi preso pela Polícia Militar e apontou aos investigadores o local onde o corpo havia sido abandonado, na região do Rio das Garças. Outros dois homens, que teriam participado do sequestro e da execução, são procurados.

De acordo com as informações policiais, o crime começou por volta das 2 horas da madrugada, quando três homens invadiram a residência de Victor, na região do bairro Daury Riva, e o levaram à força.

A principal linha de investigação aponta que a vítima estaria comercializando entorpecentes sem autorização de integrantes do Comando Vermelho (CV), organização criminosa que, segundo o relato atribuído ao suspeito preso, exigiria pagamentos para permitir a venda de drogas na região.

A versão ainda depende de confirmação pelas investigações e não estabelece, por si só, que a execução tenha sido determinada pela liderança da facção.

SEQUESTRO E EXECUÇÃO – Após receber informações sobre o desaparecimento, equipes do 11º Batalhão da Polícia Militar, com apoio da Cavalaria de Sinop, iniciaram diligências para localizar a vítima e identificar os envolvidos.

Durante as buscas, os policiais descobriram que um Honda HR-V branco teria sido utilizado pelos criminosos. O veículo foi identificado com auxílio do sistema de monitoramento Vigia Mais MT.

O motorista, que trabalhava por aplicativo, relatou aos policiais que também havia sido sequestrado e obrigado a transportar os envolvidos. Ele forneceu características dos suspeitos e indicou os locais por onde o grupo havia passado.

Com essas informações, os militares localizaram um dos investigados. Durante a abordagem, o homem teria admitido participação no crime e indicado onde o corpo estava.

Victor foi encontrado amarrado, com sinais de tortura e perfurações por tiros no tórax e no pescoço.

CONTROLE DO TRÁFICO – Segundo o registro policial, o suspeito afirmou que Victor seria considerado um "cabriteiro", expressão utilizada no meio criminoso para identificar pessoas que comercializam drogas sem autorização ou sem realizar pagamentos exigidos por facções.

A suspeita é de que o assassinato tenha sido cometido como punição pela suposta comercialização de entorpecentes fora das regras impostas pelo grupo criminoso.

Durante as diligências, os policiais também recuperaram objetos que teriam sido retirados da residência da vítima, entre eles uma bolsa, uma maleta, um monitor e uma balança de precisão. Foram encontrados ainda pequenos invólucros contendo substância semelhante à cocaína.

O homem preso foi encaminhado à Central de Flagrantes de Sinop, onde acabou autuado por homicídio doloso, ocultação de cadáver, participação em organização criminosa, furto e tráfico de drogas.

A Polícia Civil prossegue com as investigações para esclarecer a participação de cada envolvido, identificar os outros dois suspeitos e verificar se houve determinação de integrantes da facção para a execução.

O caso também levanta questionamentos sobre a atuação de organizações criminosas na imposição de regras e cobranças ilegais relacionadas ao comércio de entorpecentes. A hipótese de que Victor tenha sido morto por descumprir essas exigências, entretanto, permanece sob investigação.

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