Uma ata divulgada pela família do sargento da Polícia Militar, William Ferreira Nascimento, de 42 anos, nessa segunda-feira (30), aponta que o também sargento, Gabriel Castella, de 34 anos, já havia dito ao comandante da unidade, Cristyano Cássio, que 'teve vontade de matar' o sargento Willian e também de se matar.
Willian foi morto a tiros dentro do refeitório da unidade policial em que trabalhava. O caso ocorreu em 21 de outubro em São José do Rio Claro, a 325 km de Cuiabá. No dia seguinte após a morte, o sargento Gabriel foi encontrado morto. A suspeita é de suicídio.
Em nota, os familiares de Willian disseram que o objetivo da divulgação da ata visa o esclarecimento dos fatos "para preservar o respeito à memória sargento e também proporcionar paz e tranquilidade para os familiares".
O documento é de 13 de outubro de 2022 e revela que os militares tinham atritos por não concordarem com o comportamento um do outro. Na ata também dizia que o tenente-coronel Cristyano havia convocado uma reunião para tentar resolver a desavença entre os envolvidos.
De acordo com o registro, uma das questões que contribuía para a hostilidade entre ambos seria um suposto rumor que Gabriel teria dito que Willian queria 'comandar o quartel'. Além disso, os militares já haviam se desentendido por causa da cautela de um fuzil, no entanto, não há detalhes sobre o motivo da briga por causa do armamento.
“Gabriel adicionou que, de fato, criou uma mágoa em relação a William, e que, no dia da desavença do fuzil, teve vontade de matar William e, inclusive, teve vontade de se matar. Adicionou que ficou cinquenta dias digerindo a situação, necessitando de atendimento psiquiátrico e medicação, vez que ficou muito nervoso”, consta no documento.
É apontado no documento que Gabriel relatou que se arrependia do que tinha falado, pois, segundo ele, estava em surto nervoso, que resultou na necessidade de atendimento médico especializado. O tenente Cristyano reconheceu o estado mental do militar e recebeu o atestado médico do policial. A reunião foi finalizada pelo tenente após todos os envolvidos darem por encerrado as razões que motivaram o encontro.
Entenda o caso
Gabriel Castella foi preso dentro da cozinha do refeitório da unidade em que ambos trabalhavam. Uma guarnição foi até o local e o autor dos disparos ainda estava na cozinha e com a arma na mão. De acordo com o comandante-geral da PM, Alexandre Mendes, um desentendimento entre os sargentos, envolvendo acusações de assédio, teria motivado os disparos feitos por um deles.
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William foi encaminhado ao Pronto Socorro do município, mas morreu na unidade. A Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso informou por meio de nota que um inquérito já foi instaurado para apuração dos fatos. A arma do sargento foi apreendida.


