Aos 50 anos de operação no Brasil, a farmacêutica italiana Chiesi decidiuampliar a aposta no país. A companhia está investindo R$ 124 milhões nafábrica de Santana de Parnaíba, na grande São Paulo, para aumentar aprodução e trazer ao mercado brasileiro uma nova geração de inaladoresem spray usados por pacientes com asma e Doença Pulmonar ObstrutivaCrônica, a DPOC.
Na prática, são as conhecidas "bombinhas". Além do medicamento, essesdispositivos precisam de um gás propelente para expelir a dose e levá-la àsvias respiratórias. É justamente esse componente que a Chiesi pretendesubstituir. O atual HFA 134a dará lugar ao HFA 152a, que, segundo aempresa, permite reduzir em até 90% a pegada de carbono do produtosem alterar sua eficácia terapêutica.
O projeto começou em 2026 com obras civis e deverá avançar com ainstalação de novas máquinas e processos industriais. Ruggiero afirmaque o investimento continuará nos próximos anos até que a nova estruturaesteja concluída e passe pelas etapas regulatórias necessárias antes decolocar os produtos no mercado.
A capacidade da unidade deverá saltar de 15 milhões para 25 milhões deunidades por ano, um avanço de quase 67%. A ampliação ocorre enquantoa operação brasileira cresce em ritmo de dois dígitos e tenta alcançar umnovo patamar de receita. A Chiesi faturou R$ 690 milhões no país em 2025e estabeleceu a meta de chegar a R$ 1 bilhão até 2030.
Por que investir R$ 124 milhões no Brasil
A fábrica que agora receberá o novo aporte acompanha a Chiesipraticamente desde o início de sua história brasileira. A subsidiária foicriada em 1976 e foi a primeira operação do grupo fora da Itália. SegundoRuggiero, a companhia adquiriu na época um pequeno laboratório que jápossuía uma unidade fabril. O local foi modernizado sucessivamente e setransformou em um dos centros produtivos da farmaceutica.
Hoje, dali saem medicamentos destinados não apenas aos pacientesbrasileiros, mas também a mercados internacionais. A fábrica produzinaladores para asma e DPOC que chegam a países europeus e doOriente Médio.
O novo projeto amplia essa função. Dos R$ 124 milhões, uma parte serádestinada às obras para aumentar a estrutura física e outra à instalaçãodas máquinas e processos necessários para fabricar os inaladores com onovo propelente.
"Não é só um investimento da fábrica para ampliar o volume, fazer maisprodução e abastecer vários mercados. É também trazer para o Brasil umatecnologia totalmente nova", afirma Ruggiero.
A tecnologia faz parte da estratégia climática do grupo. Os inaladores emspray representam atualmente 70% das emissões de gases de efeitoestufa da Chiesi. A companhia estabeleceu a meta de zerar as emissões emtoda a cadeia até 2035.
Para onde irao os 10 milhoes de unidades adicionais
A expansão não foi desenhada apenas para atender a uma demanda queexiste hoje. Parte da nova capacidade é uma aposta no crescimento domercado brasileiro e na ampliação das exportações.
Ruggiero diz que a operação brasileira vem crescendo dois dígitos ao anoe que a companhia pretende manter esse ritmo. Ao mesmo tempo, a Chiesiquer produzir localmente itens que hoje ainda precisa trazer de outrasunidades do grupo.
"O objetivo é ser autônomo", afirmou o executivo. A estratégia passa porconcentrar no Brasil a fabricação do portfólio destinado ao mercado local e,a partir daí, atender também outros países.
Com a expansão, o número de medicamentos produzidos na unidade devepassar de 11 para 19. A estimativa é que aproximadamente 31% daprodução da fábrica seja destinada ao exterior.
A lista de destinos também deverá crescer. Além dos mercados já atendidosna Europa, Oriente Médio, Ásia e Oceania, a companhia pretende usar oBrasil como base para ampliar o fornecimento à América Latina, incluindopaíses como México e Colômbia.
"Temos um projeto de ser ponto de referência aqui no Brasil para aAmérica Latina", disse Ruggiero.
Como a empresa pretende chegar a R$ 1 bilhão
A fábrica é uma peça da estratégia, mas não é a única responsável pelameta de levar o faturamento brasileiro a R$ 1 bilhão até 2030.
A Chiesi atua principalmente em doenças respiratórias, além de áreascomo neonatologia e doenças raras. No segmento respiratório, seusmedicamentos são vendidos em farmácias e também distribuídos porprogramas e instituições públicas.
Segundo Ruggiero, uma das avenidas para o crescimento está justamenteno aumento do acesso pelo sistema público de saúde. A companhiapassou a fornecer uma de suas terapias respiratórias pelo SUS após oprocesso de incorporação e já participa há anos do Farmácia Popular.
A lógica é ampliar o universo de pacientes além daqueles que conseguemadquirir os medicamentos diretamente no varejo. A Chiesi diz ter tratado4,6 milhões de pessoas no Brasil em 2025, crescimento de 20% sobre oano anterior.
O Brasil já está entre os sete maiores mercados da companhia no mundo.Ruggiero evita, porém, estabelecer uma posição específica para o país noranking global até 2030. Segundo ele, o avanço depende não apenas dotamanho da população, mas também da evolução dos gastos em saúde edas políticas públicas de cada mercado.
Quem comanda a expansão brasileiraRuggiero chegou ao Brasil em janeiro de 2024 depois de passar seis anoscomandando a subsidiária mexicana. Italiano, ele está há 18 anos naChiesi e construiu parte da carreira dentro da própria farmacêutica.
Formado em economia e administração de empresas pela Universidade deParma, Ruggiero passou anteriormente pela Nestlé e entrou na Chiesi em2008, na Itália. Dentro do grupo, atuou em áreas como finanças,marketing e operações antes de assumir a gestão de negócios.
Em 2018, mudou-se com a família para o México para liderar a operaçãolocal. Seis anos depois, recebeu a missão de comandar a principalsubsidiária da companhia na América Latina.
Hoje, a Chiesi emprega 400 pessoas no Brasil, considerando fábrica,escritório e força de vendas. Destas, 263 trabalham no escritórioou na equipe comercial e as demais estão ligadas principalmente àoperação industrial.
Hoje, a Chiesi emprega 400 pessoas no Brasil, considerando fábrica,escritório e força de vendas. Destas, 263 trabalham no escritórioou na equipe comercial e as demais estão ligadas principalmente àoperação industrial.
Farmacêutica italiana investe R$ 124 milhões para ampliar fábrica no Brasil e chegar ao bilhão
Chiesi vai ampliar unidade em Santana de Parnaíba, elevar capacidade para 25 milhões de unidades anuais e produzir no país inaladores com pegada de carbono até 90% menor



