Quinta-feira, 8 de outubro de 2026

França lança míssil balístico estratégico M51.3 do submarino nuclear Le Vigilant

A zona prevista para a queda ficou no Atlântico Norte, a várias centenas de quilômetros de qualquer litoral.

França lança míssil balístico estratégico M51.3 do submarino nuclear Le Vigilant

A França realizou em 6 de outubro de 2026 o primeiro tiro de aceitação do míssil balístico estratégico M51.3 a partir de um submarino nuclear lançador de mísseis. O armamento, sem carga nuclear, foi disparado pelo Le Vigilant ao largo do departamento de Finistère, na região da Bretanha.

O lançamento ocorreu durante a Operação Smertrios e teve como principal objetivo validar a capacidade do submarino de empregar novamente seu sistema de armas após um período de indisponibilidade para manutenção e reparos. Dessa forma, o ensaio marcou o retorno do adLe Vigilant à prontidão operacional.

Tiro de aceitação sem carga nuclear

O Ministério das Forças Armadas da França ressaltou que o míssil não transportava ogiva nuclear e que o lançamento foi conduzido em conformidade com os compromissos internacionais assumidos por Paris. A zona prevista para a queda ficou no Atlântico Norte, a várias centenas de quilômetros de qualquer litoral.

A Direção-Geral de Armamento francesa acompanhou o M51.3 durante toda a fase de voo. A operação mobilizou recursos da DGA Essais de missiles, incluindo o navio de ensaios e medições Monge, equipado para rastrear lançamentos e coletar dados de telemetria.

O procedimento foi classificado como tiro de aceitação, destinado a certificar a combinação entre o submarino, seus sistemas de lançamento e o míssil. Portanto, não se tratou de um disparo com finalidade ofensiva, mas de uma avaliação técnica necessária antes da reintegração plena do navio às forças estratégicas francesas.

Primeiro disparo marítimo após a entrada em serviço

O M51.3 representa a terceira versão do míssil M51 e entrou em serviço em outubro de 2025. Segundo a ArianeGroup, principal contratante industrial do sistema, o lançamento realizado pelo Le Vigilant foi o primeiro disparo marítimo dessa versão desde sua incorporação ao arsenal francês.

A variante M51.3 já havia passado por um lançamento de qualificação em novembro de 2023, também sem carga nuclear. O ensaio de 2026, porém, teve uma função diferente: demonstrar que um submarino em condição operacional podia lançar o novo modelo após concluir seu ciclo de manutenção.

Paris não divulga oficialmente o alcance do M51.3. Estimativas públicas atribuem à família M51 alcance de aproximadamente 9.000 quilômetros ou mais, enquanto autoridades francesas afirmam apenas que a nova versão oferece desempenho superior ao de suas antecessoras.

Macron acompanhou lançamento no Atlântico

O presidente Emmanuel Macron acompanhou a operação a partir da fragata multimissão

adAuvergne, posicionada no Atlântico. Após o disparo, afirmou que a França estava mais forte e que a mensagem havia sido transmitida “em alto e bom som”.

Embora o comunicado oficial não tenha mencionado a Rússia ou identificado qualquer adversário, o teste ocorreu em meio ao aumento das tensões estratégicas na Europa e à retomada do debate sobre dissuasão nuclear. A presença de Macron deu maior dimensão política a uma atividade técnica planejada com antecedência.

O governo francês apresentou o lançamento como demonstração da capacidade de seus setores militar e industrial para preservar as forças estratégicas diante da evolução das ameaças. A ArianeGroup participou da operação como responsável industrial pelo sistema M51, em cooperação com a DGA e a Marinha Nacional francesa.

Componente naval da dissuasão francesa

A França mantém quatro submarinos nucleares lançadores de mísseis, que formam o núcleo de sua componente oceânica de dissuasão. A disponibilidade desses navios permite conservar permanentemente uma capacidade de segundo ataque, considerada essencial para a credibilidade da política nuclear francesa.

Nesse contexto, o sucesso do disparo não certificou apenas o míssil. A operação confirmou o funcionamento do conjunto formado pelo Le Vigilant, seus sistemas de combate, as instalações de lançamento e a rede de acompanhamento em terra e no mar.

Com o M51.3 integrado e o submarino novamente disponível, Paris avança na renovação de sua força nuclear marítima enquanto prepara as futuras gerações de submarinos estratégicos e mísseis. O resultado preserva a continuidade da patrulha oceânica francesa e reforça sua autonomia estratégica em um ambiente de segurança europeu cada vez mais disputado.■

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