Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Fux vota para absolver Bolsonaro de todos os crimes

Ministro do STF argumenta que ‘não há comprovação de que um plano de golpe tenha sido efetivamente colocado em prática por Bolsonaro’

Fux vota para absolver Bolsonaro de todos os crimes
Foto: Arquivo Colíder News

Depois de duas horas argumentando sobre os supostos crimes cometidos pelo ex-presidente Jair Messias Bolsonaro na tentativa de golpe de Estado, o ministro Luiz Fux votou para inocentar o ex-mandatário. Agora, com o voto de Fux, o placar no STF é de 2 a 1. “Não há provas suficientes para imputar ao réu Jair Messias Bolsonaro os crimes de tentativa abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima, e deterioração de patrimônio tombado”, disse durante a sessão desta quarta-feira (10), que começou às 9h e ainda continua, e o ministro manifestou seu desejo de concluir todos os seus votos ainda hoje.

“Eu fico aqui até a hora que for preciso. Vamos continuar, para mim não tem problema. Eu tenho ainda cinco réus, mas que tem uma conotação distinta em razão do que a acusação imputou a eles. Aqui não vai demorar”, diz Fux. Em sua argumentação a favor de Bolsonaro, o ministro minimizou a suposta “minuta do golpe”, dizendo que é cogitação e não caracteriza abolição do estado de direito.

“Reunião entre Bolsonaro e militares tratou de vaga cogitação prontamente rejeitada”, declarou, acrescentando que Bolsonaro não participou da reunião em que foi apresentada a nova minuta, e que o documento por qual ele está sendo acusado não se sabe o teor exato do que estava escrito e a origem é incerta. Fux também argumentou que não há prova de que a minuta apresentada ao comando do Exército previa intervenção em outros poderes nem prisão. “Nota-se inexistência de prova de qualquer minuta prevendo a prisão de autoridades”, destacou.

Ao iniciar sua votação sobre a condenação ou não de Jair Bolsonaro, Fux destacou que a ABIN não tem capacidade de configurar conduta de golpe de estado. “Não se pode imputar a Bolsonaro a responsabilidade por organizar os atos de 8 de janeiro através de entrevistas e declarações”, declarou. Depois destacou que para execução de um Estado de sítio, seria necessária a execução das medidas previstas nessa minuta que dependeria de atos preparatórios envolvendo diversas outras autoridades, além do Presidente da República, o Estado de Sítio depende de pré-autorização do Congresso, da Constituição Federal, além de para o Senado. É inegável que a minuta precisaria passar por inúmeras providências para que se gerasse uma tentativa com violência e grave ameaça”.
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