Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Gaeco flagra propina de R$ 2,5 milhões e 106 imóveis irregulares em MT

Agentes prenderam servidores, empresários e engenheiros

Gaeco flagra propina de R$ 2,5 milhões e 106 imóveis irregulares em MT
Rep. Folha Max

A promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches, que atua na 4ª Promotoria Criminal de Sinop, revelou que uma construtora investigada na Operação Mãos à Obra teria pago R$ 2,5 milhões em propina a servidores da Prefeitura para construir e regularizar imóveis de forma irregular. Segundo ela, a empresa mantinha um esquema com funcionários públicos há mais de 10 anos e seria responsável por pelo menos 106 imóveis espalhados por vários bairros do município.

Durante a deflagração da operação, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), foram presas 5 pessoas, entre eles os servidores Fernando Dante Morari, Júlio Henrique Verdu Garcia e Valdinei Monteiro da Silva, além de Agnaldo Rael da Silva e Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, que é sócia-administradora da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.O Gaeco também cumpriu mandados de busca e apreensão e a operação também bloqueou R$ 80 milhões em bens e valores dos investigados.

De acordo com a promotora, uma das principais descobertas da investigação foi a ligação entre um fiscal de obras da Prefeitura e uma construtora administrada por um casal. A empresa seria especializada na construção de imóveis, principalmente quitinetes, que eram vendidos aos compradores com a garantia de que seriam entregues concluídos e com o documento de habite-se, mesmo sem atender às exigências da legislação urbanística.

O esquema funcionava através de um servidor, que era responsável por receber os pagamentos e distribuir parte do dinheiro a outros funcionários públicos. Os fiscais seriam pagos para não comparecer aos locais das construções, enquanto servidores que trabalhavam internamente na Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação garantiriam a tramitação dos processos e a emissão dos documentos necessários.

A promotora destacou que as investigações preliminares apontaram a existência de pelo menos 106 imóveis construídos pela empresa de forma ilegal. "Pelo que nós apuramos, era um servidor que ficava responsável de fazer as tratativas e posteriormente ele dividia os valores a outros servidores responsáveis pela fiscalização de obras para que eles não fossem até a obra para não fazer a fiscalização. Só em relação a essa construtora, as nossas investigações preliminares constataram que há 106 imóveis aqui em Sinop, em diversos bairros, que são irregulares e estão aí em pleno funcionamento", afirmou.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a forma como os imóveis eram construídos. Segundo a promotora, a empresa trabalhava com três modelos de projetos, de pequeno, médio e grande porte, que eram adaptados conforme o tamanho dos terrenos. O objetivo seria aproveitar ao máximo os espaços para construir o maior número possível de quitinetes, deixando de respeitar exigências relacionadas aos recuos das edificações e até às dimensões mínimas das garagens.

"Hoje nós já tivemos conhecimento, durante o cumprimento das buscas na empresa e na residência dos proprietários, que eles não tinham engenheiro civil responsável, eles não apresentaram um arquiteto responsável. Imagine uma obra que foi construída há 10 anos, a pessoa já mora lá há 10 anos, não é possível nenhuma adequação, o que nós vamos fazer, derrubar? Então, é uma questão bastante delicada e tem que ser muito bem apurada para se ter uma melhor conclusão final", destacou.

Além dos presos, também aparecem entre os alvos Antônio Benedito Rodrigues, Bruna Maia de Freitas, Grazielly Stolarski Lima, Samuel de Sousa Vieira, Charles Correia da Costa, Danielle da Silva Otaviano Garcia, Felipe Gabriel Russo, Júlio Henrique Verdu Garcia Júnior, Laércio Ronei Schorr e Roni de Souza, assim como a empresa Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam 6 veículos de luxo e 3 imóveis foram alvo de medidas de sequestro, sendo feito ainda o recolhimento de dinheiro em espécie. O delegado Getúlio Daniel informou posteriormente que foram encontrados R$ 302 mil em dinheiro na residência de um empresário, além de veículos avaliados em mais de R$ 6 milhões.

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