Quatro mil famílias estão em risco em Cuiabá com a possibilidade de explosão do gasoduto que traz Gás Natural (GNV) da Bolívia até a Capital. Isso porque a empresa que administra o transporte do produto decidiu encerrar o abastecimento do GNV, e desde julho o duto está parado com 5 milhões de metros cúbicos armazenados. Para tentar reverter a situação, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) em conjunto com a MT Gás vai ajuizar uma ação popular na Justiça Federal para garantir que seja reativado o abastecimento do produto.
O intuito é pressionar a Agência Nacional de Petróleo (ANP) para que obrigue a empresa Gás Ocidente Mato Grosso (GOM), que é administrada pela J&F Holding, da qual faz parte o Grupo JBS - a continuar com o abastecimento do gás.
Na última semana, a GOM comunicou a ANP que vai incinerar o GNV que está armazenado dentro do gasoduto que traz o produto da Bolívia até Cuiabá. A medida foi tomada porque a empresa considera inviável a manutenção do gasoduto, já que o maior cliente de gás natural em Mato Grosso, a usina termelétrica de Cuiabá, está com o contrato suspenso com a Petrobras desde junho de 2017.
O rompimento do contrato foi justificado pela estatal em razão da existência de pagamentos indevidos a agentes públicos, conforme delação premiada dos donos da JBS na Operação Lava Jato. A Âmbar, que é dona da usina e também faz parte do grupo J&F, recorreu da decisão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas obteve decisão negativa quanto ao reabastecimento do GNV.
Quem acabou se prejudicando mais com a situação são as 5 indústrias e cerca de 1,6 mil motoristas de táxis e Uber, em Cuiabá e Várzea Grande, que dependem do GNV para trabalhar.
Apesar do rompimento do contrato da Petrobras com a Âmbar, os demais consumidores de GNV no Estado conseguiram manter o abastecimento até julho deste ano, em razão de um decisão liminar requisitada pela MT Gás, mas cujos efeitos encerraram em julho. Conforme adiantado pelo
, os consumidores de GNV ficariam sem o produto, e essa realidade deverá continuar sem muita perspectiva de reversão.
O problema, de acordo com o presidente da Fiemt, Jandir Milan, é que se mantida a decisão da GOM em queimar o GNV armazenado no gasoduto, serão desperdiçados US$ 925 mil ou R$ 3,9 milhões só em gás, quantidade de produto que é suficiente para abastecer a atual demanda do Estado por três anos. Ao todo, 5 milhões de metros cúbicos estão reservados no gasoduto. A decisão da GOM é de retirar o GNV e colocar nitrogênio no lugar.
Riscos
De acordo com os técnicos da MT Gás, se mantido o GNV dentro do gasoduto ou se houver o consumo paulatino do produto sem o fluxo normal de abastecimento, o gasoduto sofre risco de explosão. A preocupação é que ao redor da usina termelétrica de Cuiabá existe um bairro com aproximadamente 4 mil famílias, que podem ser atingidas com o possível desastre.
Também os industriários estão preocupados com a situação. Jandir Milan especifica que uma de suas empresas já está parcialmente parada porque não tem GNV e fica inviável manter a produção com outras fontes de matrizes energéticas.


