Domingo, 4 de outubro de 2026

Geração de energia solar deve baratear a conta de luz em 5,6% até 2031

Crescimento das iniciativas de particulares vai reduzir frequência da bandeira vermelha e trazer R$ 86,2 bilhões em benefícios

Geração de energia solar deve baratear a conta de luz em 5,6% até 2031
Foto: ReproduçãoFoto: Arquivo Colíder News

O crescimento da geração de energia solar no Brasil vai melhorar a eficiência do setor elétrico nos próximos 10 anos, com o barateamento dos custos, a diminuição de perdas em linhas de transmissão e redes de distribuição, e a redução da frequência no acionamento da bandeira vermelha nas tarifas de energia elétrica.


Os benefícios devem ultrapassar R$ 86,2 bilhões e baratear a conta de luz dos brasileiros em 5,6% até 2031.

Esse é o resultado do estudo “Contribuições da geração própria de energia solar na redução da conta de luz de todos os brasileiros”, apresentado nesta terça-feira (21). Ele foi realizado pela consultoria especializada Volt Robotics, a pedido da ABSolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).
A geração distribuída é a energia elétrica produzida no próprio local de consumo, ou perto dele, como a que é captada por painéis instalados em telhados, quintais, fachadas e pequenos terrenos.
Hoje, a geração distribuída no Brasil totaliza 11 GW (gigawatts) de potência instalada, e as projeções são de que chegue aos 37,2 GW em 2031, segundo informações do PDE 2031 (Plano Decenal de Expansão de Energia 2031), de autoria do Ministério de Minas e Energia e da EPE (Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao ministério).

Com isso, a frequência de acionamento da bandeira vermelha nas tarifas de energia elétrica dos consumidores deve ser reduzida em cerca de 60%. Se houver nova crise hídrica, como as que ocorreram no país em 2001, 2014 e 2021, a aplicação das bandeiras com tarifas mais caras pode diminuir em 17 pontos percentuais.

Criado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), esse esquema sinaliza o custo real da energia gerada, deixando a conta de luz mais cara quando não chove o suficiente para as usinas hidrelétricas do país produzirem energia.

As bandeiras tarifárias, nas cores verde, amarela ou vermelha, indicam se a energia custará mais ou menos, em função das condições de geração: a bandeira verde não implica acréscimos à conta, pois indica condições favoráveis de geração de energia; a amarela alerta para condições menos favoráveis, com acréscimo de R$ 2,989 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos no mês; a bandeira vermelha – patamar 1, acionada quando há condições mais custosas de geração, estabelece que a tarifa sofre acréscimo de R$ 6,50 a cada 100 kWh consumido; e a bandeira vermelha – patamar 2, indica condições ainda mais custosas de geração, com acréscimo de R$ 9,795 na tarifa para cada kWh consumido. Os novos valores foram anunciados pela Aneel nesta terça-feira.

Entre setembro de 2021 e o início de abril deste ano, esteve em vigor a bandeira de escassez hídrica, com uma taxa de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos, devido à crise que afetou o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. O valor extra é usado para cobrir a geração, transmissão e distribuição de energia durante o período de seca, quando é preciso acionar as termelétricas.


Economia
Além de influenciar o acionamento das bandeiras tarifárias no futuro, o estudo indica que o crescimento da geração própria de energia solar vai impactar o custo da energia elétrica no país: é previsto um barateamento de R$ 34 bilhões nos custos repassados aos consumidores, o que irá proporcionar uma redução de 2,2% nas tarifas de energia elétrica na próxima década.

Encargos setoriais, que entram na composição da conta de luz, serão reduzidos em R$ 11,5 bilhões até 2031, baixando em 0,8% as tarifas de energia elétrica. Outro benefício é a diminuição do risco financeiro sobre a variação dos preços dos combustíveis, com queda de R$ 24,2 bilhões e 1,5% a menos nas tarifas cobradas da população.

O estudo também apresenta projeções relacionadas à menor perda elétrica nas linhas de transmissão e redes de distribuição, e ao alívio sobre a demanda no horário de pico do sistema elétrico brasileiro, entre 10h e 16h. No caso das perdas, a economia pode chegar a R$ 8,2 bilhões em dez anos, uma queda de 0,5% nas tarifas, enquanto no pico a redução calculada é de R$ 1,6 bilhão.

Há, ainda, benefícios relacionados à queda de preços nos submercados elétricos do Nordeste e Sudeste, estimado em R$ 8,5 bilhões até 2031, e a projeção de redução na emissão de gases de efeito estufa, numa média de 67 milhões de toneladas de CO2 no mesmo período.

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Os dados apurados pela consultoria Volt Robotics se concentraram no cálculo dos chamados “benefícios sistêmicos ao setor elétrico” e não incluem ganhos socioeconômicos e ambientais.

“Trabalhamos para garantir que a geração própria de energia solar seja tratada de forma justa e equilibrada, conforme determina o marco legal do setor, a Lei nº 14.300/2022. Esperamos que seus benefícios sejam corretamente identificados e incorporados nas diretrizes a serem oficializadas pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), por meio de resolução a ser publicada ainda neste ano”, explica Rodrigo Sauaia, presidente executivo da ABSolar.

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