O juiz Leonardo Limeira Santos, da 9ª Vara Federal de Campinas, recebeu denúncia e tornou réu Filadelfo dos Reis Dias, o “Gigante do Ouro”, por comprar mercúrio contrabandeado e usar na produção de ouro em garimpos ilegais de Mato Grosso. A ordem, proferida em julho, se estende a Brenner Ramos Dias e à empresa BG Minning Terceirização. Os fatos foram apurados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Hermes HG. O Ministério Público requer R$ 2,3 bilhões como forma de reparar os danos ambientais causados.
A dupla e as empresas respondem por compra, transporte e uso ilegal de mercúrio sem autorização ambiental entre 2021 e 2022. Os investigados teriam utilizado a estrutura do Grupo Dias e da BG Mining Terceirização para viabilizar o contrabando da substância e a exploração irregular de ouro ligada à Operação Hermes HG, deflagrada em 2022.
A defesa tentou anular a ação e transferir o caso para Cuiabá, argumentando ausência de provas materiais e de conexão com o juízo de Campinas, mas os pedidos foram rejeitados pela Justiça Federal.
O juiz ainda reconheceu a materialidade e os indícios de autoria, fundamentados em exames periciais de celulares, que constaram conversas entre eles e Arnoldo Veggi, patriarca da família Veggi e principal alvo da ofensiva, extratos bancários que demonstraram transações para aquisição do minério contrabandeado e conversas telemáticas entre os envolvidos. Diante disso, a denúncia foi oficialmente aceita, determinando-se a citação dos réus para apresentação de defesa prévia no prazo legal de dez dias.
Segundo os agentes, Brenner teria tratado de quantidades, valores, condições de pagamento e locais de entrega do mercúrio, além de encaminhar comprovantes de pagamento e receber valores relacionados às operações. Quanto ao Gigante do Ouro, os elementos apontam que seria o destinatário final do mercúrio negociado, e que as aquisições eram efetuadas em seu interesse e dependiam de sua autorização para pagamento.
Além deles, nesta semana também viraram réus o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, e seu filho, Luis Taveira Mendes, pela compra de aproximadamente meia tonelada de mercúrio. Eles respondem em processo separado, mas também oriundo da Hermes. Valdinei Mauro de Souza, o “Nei Garimpeiro”, também é réu no processo.
No papel de fornecedores, ponto inicial identificado pela investigação, figuraria a empresa Metalms Indústria Brasileira de Metais (por meio de seus sócios, José Carlos Morelli e Ferdinando Morelli), que foi responsável pela venda demais de 500 kg de mercúrio ilegal, além de possuir créditos de mercúrio no sistema do Ibama, apto a legalizar toda a cadeia.
No papel de sócios, que além de financiar também possuem poderes de administração e gerência, estariam Edilson Rodrigues de Campos, Tiago Mendonça Campos, William Leite Rondon, Ali Veggi Atala, Alberto Veggi Atala, Edgar dos Santos Veggi, Patrike Noro de Castro e Arnoldo Veggi.
Segundo a PF, durante as investigações, foi observado que, devido à grande demanda da organização criminosa e até mesmo uma desorganização contábil, em muitos momentos foi necessário buscar auxílio financeiro de amigos e parentes próximos para a manutenção do esquema criminoso, dentre os quais estariam: José Eduardo Miranda, Juliano Garruti de Oliveira, Edy Veggi Soares, Guilherme Motta Soares, Marcelo Coelho Miranda, Jeferson Dias Castedo.
“À luz do standard probatório inerente à presente fase processual, reputa-se suficientemente demonstrada a materialidade delitiva a partir dos elementos de informação constantes dos autos, especialmente pelas análises bancárias, pelas conversas telemáticas, pelos dados do IBAMA e pelos laudos e relatórios produzidos durante a investigação”, nos termos da decisão.


